Resenha : Brown-Há no Botequim Blues (24/12)

Resenha retirada do blog do Coletivo Cultcha do último show da banda Brown-Há, do Coletivo Esquina, em 2009.

O show “PornoVintage” foi realizado no dia 18 de novembro no Botequim Blues (centro de Taguatinga – DF) com as bandas Os Dinamites e Os Inimitáveis.

Pra quem não sabe, o Coletivo Cultcha é um agrupamento de produtores e artistas de Taguatinga que promovem eventos na região.

www.myspace.com/brownha
www.myspace.com/inimitaveis
www.coletivocultcha.blogspot.com
www.myspace.com/osdinamites

Segue a resenha! Para ver completa clique aqui.

Texto de Ennio Villavelha
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar

“Se você não conseguir fazer com que as palavras trepem, não as masturbe”. Henry Miller

Para todo o efetivo do Coletivo Cultcha o ano foi de total inclinação ao aprendizado: como adquirir as competências específicas para poder tornar este organismo cada vez mais forte a qualquer antibiótico que queira condicionar a coceira destes cães. Seguramente cada evento se mostrou mais cheio de contornos de maturidade profissional, integrando amplamente todos os recursos possíveis para promover um nível de organização que pendesse a um clima bom para o músico e para a audiência; sem nenhuma institucionalização à terceiro setor burocratizado ou qualquer dessas palavras da moda. Ano chapa branca e neste momento abraçando uma empreitada valiosa com a agência Fora do Eixo.

Os assuntos são muito difusos entre abusos de álcool, tabaco, audição, xxxxxxxx, xxxxxxxxx, xxxxx, pequenos desgastes entre relações pessoais, hematomas e sede na madrugada. Dito isto somente para dar a devida importância a estas ordinárias e naturais atuações humanas, é saudável admitir perspectivas para aprender a lidar com o outro, consigo mesmo e trabalhar como alcatéia que se protege. São essas coisas que dispersam os nojentos-bullshit e mantém os nojentos-apaixonados que se respeitam no mesmo nível, independentemente da temperatura. Mais reflexões deixemos para as mesas de boteco.

Vamos à resenha:

Cheguei no Botequim Blues cedo em relação ao horário do show, mais de três horas antecediam ao que seria a última barulheira do ano produzida pelo Coletivo Cultcha. Alguns empregados dando os últimos retoques na bilheteria e no chiqueirinho dos fumantes, chiqueiro também daqueles que querem respirar um ar arsênico-naftalinado dos cigarros alheios. Ao lado da porta do hotel adjacente uma dama-da-noite, andando de um lado para o outro, fazendo finesses para os passantes, vestindo apenas uma tarja preta que seguia aproximadamente cinco dedos abaixo do capô e dois dedos acima dos faróis. Logo que entro encontro o engajado Alysson Diego, sentado e sozinho refletindo, um verdadeiro Pensador de Rodin, só que a mão no queixo desceu para o saco, ficamos conversando pérolas altruístas e egocêntricas enquanto a outra leva da equipe trazia alguns objetos que faltavam. Creio que é a primeira vez que chego ao local do evento e encontro o palco pré-montado, já quase totalmente encaminhado. Normalmente meus calos de relaxamento manual participam de todo o processo de montagem e passagem de som. E, já no tema, esta montagem foi um pouco trabalhosa por conta detalhes que não percebemos logo de cara. Um cabo conectado no local errado e outro não embocado bem na fêmea correspondente. Eu e Davi Kaus decifrando o pequeno emaranhado no escuro ao lado da mesa de som, nada de mais, porém causou uma perturbação. Além do pequeno choque que sofri ao religar um detalhe na iluminação. Foi gostoso igual a choque que gado toma no lombo.

Nesse meio tempo as bandas foram se aproximando, reconhecendo o ambiente. Somente a Brown-Há checou o som. A essa altura os retornos já haviam amansado, com os cabos em ordem, faltando apenas assentar o monitor individual do Dennis-Vocal-Os Inimitáveis, segundo o próprio “tem a finalidade de conter uma surdez progressiva”, faz bem.

Por volta de 00:00 a Brown-Há subiu no palco. Foram eles que apuraram os ouvidos da rapazeada para se aproximarem. Chegaram por volta de dez pessoas, que se somaram a mais dez que se somaram a tantas outras mais que estavam querendo acompanhar a ocasião. Fernando-guitarrista ostentava acima do cubo um peculiar Bart Simpson, ofuscado apenas por uma clássica Richenbaker que empunhava. O show foi rolando, percebi algumas influências evidentes, anos 70, Brit Rock, por exemplo. O que me pegou de acometimento foi o trecho de uma música: “Eu quero viver de Rock ‘n Roll!Tchan tchan tcharam tchan tchan tcharan nan!”. Entrei em paranóia delirante, por estar nessa há tanto tempo e não ganhar nenhuma balinha 7 Belo; não posso nem me dar ao luxo de “querer viver de rock n’ roll”, me contento em deixá-lo somente como ópio por enquanto. Destarte o show foi rolando, achei muito apropriado para a banda o estilo de execução do Rodrigo-baixista, dando a pulsação necessária para as ênfases nos detalhes de cada música. Foram bastante competentes, uma boa apresentação. Fez valer os comentários que já fazem na cidade.

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Sobre Coletivo Esquina
O Coletivo Esquina surgiu voltado para atender o cenário musical indepentente de Brasília e também responder por um dos pontos da cidade vinculados ao Circuito Fora do Eixo.

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