Confira a programação completa do III Congresso Fora do Eixo – Região Centro-Oeste

Nos dias 4, 5 e 6 de agosto os Pontos Fora do Eixo que compõem a região centro-oeste estarão reunidos em Brasília para a realização do III Congresso Fora do Eixo. Serão debatidas diretrizes das diversas áreas de atuação do Circuito Fora do Eixo na região. Em outubro será realizado o Congresso Nacional, em Uberlândia.

Confira a programação completa do Congresso:

(Atualização) A programação do primeiro dia de Congresso sofreu alterações. Confira a seguir a agenda atualizada:

PROGRAMAÇÃO:

Quarta-feira (04/08/10)

13h00 às 17h00 – PNUD (Qd. 103/104 Sudoeste)

Grupo de Discussão: O ontem o hoje e o amanhã do Circuito Fora do Eixo

Convidados: Pablo Capilé, Felipe (Massa Coletivo/Ponto de Referência SP/RJ), Talles Lopes (Goma/Ponto de Referência MG/ES))

17:30 às 21:00 – Cobertura (109 Norte Bloco K)

Apresentação de GT’s e explicação do funcionamento do Congresso.

Grupos de trabalho:
Sustentabilidade
Circulação
Distribuição/Produção
Comunicação
Tecnoarte

Discussão acerca do Escritório Brasília

Debates livres sobre planejamento da regional.

21:00

Jantar

Quinta-feira (05/08/10)

9:00 às 10:00 – PNUD (Qd. 103/104 Sudoeste)

Grupo de Discussão: PNUD, Projeto “Mostre seu Valor”

Convidados: Flávio Comin e Marcus Franchi

10:00 às 11:00 – PNUD (Qd. 103/104 Sudoeste)

Grupo de Discussão: Apresentação do programa Cine+

Convidado: Rodrigo Bouillet

11:00 às 12:00 – PNUD (Qd. 103/104 Sudoeste)

Grupo de Discussão: CBAC (Comissão de Bandas Circulantes)

Convidado: Fábio Pedroza (Móveis Coloniais de Acaju)

13:00

Almoço

15:00 às 18:00 – Cobertura Cobertura (109 Norte Bloco K)

Grupos de trabalho:

Sustentabilidade

Circulação

Distribuição/Produção

Comunicação

Tecnoarte

18:30 às 20:00 – Cobertura Cobertura (109 Norte Bloco K)

Discussão acerca do PCult Centro-Oeste

Debates livres sobre planejamento da regional.

20:00

Jantar

Sexta-feira (06/08/10)

9:00 às 13:00 – PNUD (Qd. 103/104 Sudoeste)

Grupo de Discussão:  Revisão de Carta de Princípios e Regimento Interno CFE 2010.

13:00

Almoço

14:00 às 19:00 – Cobertura (109 Norte Bloco K)

Apresentação dos Grupos de Trabalho

Sustentabilidade

Circulação

Distribuição/Produção

Comunicação

Tecnoarte

19:30 às 20:00 – Cobertura (109 Norte Bloco K)

Fechamento dos trabalhos para o CFE **

20:00

Jantar

* Durante os GT`s de Sustentabilidade e Comunicação serão realizadas, respectivamente Oficinas do Eixo de Sustentabilidade e Oficina de Ativação de Empreendimento

** Apresentação do plano de trabalho dos Gt´s

** Deliberações e encaminhamentos gerais acerca de todas as discussões e propostas realizadas fechando as diretrizes da conferência para o 3° Congresso Fora do Eixo.

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Conheça um pouco mais sobre o Pcult

Carta de Propostas #1

Com base nas 30 diretrizes prioritárias aprovadas na II Conferência Nacional de Cultura (II CNC), no conjunto de proposições das Conferências Nacionais de Economia Solidária e de Ciência e Tecnologia, nas deliberações do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, na plataforma de mobilizações anteriores tais como o “Vota-Cultura”, o “Re-Cultura” e “Todos pela Cultura”, dentre outras diretrizes, elaboramos a seguinte Carta de Propostas.

Parte das diretrizes abaixo descritas estão em processo de encaminhamento e dependem de prosseguimento de matérias de ordem legal, de natureza diversa: Propostas de Emenda a Constituição (PECs) ou Projetos de Lei (PLs) de diferentes temáticas, que visam conferir maior institucionalidade às políticas públicas de cultura.

Acreditamos que as 16 propostas abaixo relacionadas sintetizam o espírito de todo o debate acumulado ao longo dos últimos anos, nos foros e instâncias de exercício da cidadania e democracia participativa, sem prejuízo de outras propostas.

16 PROPOSTAS PRIORITÁRIAS À CULTURA

1.) Ampliar as políticas de fomento, incentivo, investimento e financiamento à cultura, através da aprovação da proposta de veiculação de orçamento para a cultura, reforma do Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (PROCULTURA) e massificação dos editais públicos de seleção de projetos culturais, propiciando a sustentabilidade dos processos de criação, produção, distribuição, circulação, difusão, fruição, consumo e preservação dos bens simbólicos.

a) Para assegurar ampliação de políticas, programas, projetos e financiamento, é necessário assegurar a garantia de recursos. Assim sendo, para o sucesso de tal proposta, é fundamental a aprovação das seguintes PECs e Projetos de Lei:

i. PEC nº 49/2007 e PEC 236/2008: altera a Constituição de 1988 dando nova redação ao art. 6º, sobre direitos sociais da Constituição Federal, incluindo a cultura como direito social do cidadão. A PEC nº 236/2008 está apensada à ela. Está em fase de indicação de membros, pelas Lideranças dos Partidos, para compor à Comissão Especial que analisará a matéria.

ii. PEC nº 324/2001 e PEC nº 150/2003: acrescenta o Artigo 216-A à constituição Federal, para destinação de recursos à cultura. Dispõe que a União aplicará anualmente nunca menos de dois por cento, os Estados e o Distrito Federal, um e meio por cento, e os Municípios, um por cento, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na preservação do patrimônio cultural brasileiro e na produção e difusão da cultura nacional. Aprovada por Comissão Especial, está pronta para Ordem do Dia. Será votada em dois turnos pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

iii. PL nº 6.722/2010: institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura- PROCULTURA, e dá outras providências. Tramitará pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Educação e Cultura, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Encontra-se na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Aguarda apresentação de parecer do relator.

iv. PL nº 5.798/2009, na Câmara; e PLC nº 221/2009, no Senado: institui o Programa de Cultura do Trabalhador, cria o VALE-CULTURA e dá outras providências. Foi aprovado na Câmara dos Deputados. Quando da apreciação pelo Senado Federal, recebeu emendas, retornando à Câmara onde as emendas do Senado foram aprovadas. Encontra-se na Coordenação de Comissões Permanentes. Pronto para Pauta do Plenário.

v. PL nº 5.940/2009 Na Câmara e PLC nº 07/2010 no Senado Federal: cria o FUNDO SOCIAL DO PRÉ-SAL e dá outras providências. Incluí a cultura como beneficiaria dos recursos do fundo. Aprovado pela Câmara, seguiu para o Senado Federal, onde foi aprovado com modificações. Retornou à Câmara. Tramita em regime de urgência constitucional.

2) Assegurar a incorporação dos preceitos da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, da UNESCO, no planejamento e execução de políticas, programas e projetos culturais, estimulando a valorização e reconhecimento da pluralidade, do multiculturalismo e dos conhecimentos e práticas tradicionais.

3) Instituir, através de atuação conjunta das áreas de educação e cultura, a atualização permanente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do ensino de arte-educação e da música, bem como para o ensino profissional de nível médio e para o ensino superior nas diferentes linguagens artísticas, na área de educação para produção e gestão de políticas culturais, na área de educação patrimonial e no incentivo ao livro e à leitura, estimulando a qualificação da formação em arte e cultura.

4) Atualizar os marcos legais regulatórios relativos aos direitos autorais e às concessões públicas de rádio e TV, estimulando a criação de rádios e TV´s comunitárias, educativas e universitárias, livres em todo o território brasileiro, como condição para o exercício da cidadania cultural, garantindo a democratização e o amplo acesso aos meios de comunicação.

a) Nesse sentido, ainda é necessário avançar e fazer chegar ao Congresso uma proposta ousada de novo marco regulatório para TVs e Rádios Públicas e Comunitárias. Por enquanto, tramitam os seguintes projetos:

i. PL 29/2007: dispõe sobre NOVA LEI DA TV POR ASSINATURA, com organização e exploração das atividades de comunicação social eletrônica. Aprovado na Câmara, encontra-se no Senado, onde será apreciado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania; de Assuntos Econômicos; de Educação, Cultura e Esporte; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática, cabendo à última a decisão terminativa. Encontra-se na CCJ.

ii. O anteprojeto que moderniza a Lei de Direito Autoral (Lei 9.610/1998) está em consulta pública. A proposta visa promover o equilíbrio entre o direito de quem cria, o direito de quem investe e o direito de toda sociedade de ter acesso à cultura, à informação e ao conhecimento.

5) Condicionar a criação de novos municípios à existência de equipamentos culturais básicos tais como: biblioteca, espaço de memória e centro cultural de uso múltiplo, garantindo a implantação de uma rede física básica para o desenvolvimento cultural, estabelecendo prazo para adequação dos municípios existentes.

6) Assegurar, na implantação de conjuntos habitacionais, a obrigatoriedade de construção de equipamentos culturais básicos (biblioteca, telecentro e centro cultural de uso múltiplo).

7) Garantir o acesso e a acessibilidade à produção cultural através de programas de intercâmbio e circulação nas diferentes áreas e segmentos, assegurando que tais programas e os diferentes editais federais de fomento e incentivo à cultura tenham um percentual destinado à capacitação de pessoal, aquisição de livros e equipamentos destinados ao atendimento de pessoas com deficiência.

8 ) Desenvolver políticas de interlocução com os Ministérios do Turismo, da Educação, do Meio Ambiente e outros de forma a construir uma transversalidade estratégica para implantação de ações específicas de desenvolvimento integrado, contemplando às diversas manifestações e fazeres culturais existentes.

9) Garantir que as políticas de planejamento, nas três esferas de poder, tratem estrategicamente a cultura como vetor fundamental para construção de um processo de desenvolvimento democrático.

10) Garantir políticas públicas de combate à discriminação, ao preconceito e à intolerância.

11) Assegurar que o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (PROCULTURA) efetive os critérios de distribuição regional de verbas, garantindo que os recursos disponibilizados pela União sejam divididos proporcionalmente entre as cinco regiões do país, de forma que as regiões historicamente menos favorecidas pelas políticas culturais se igualem às regiões melhor beneficiadas.

a. Para o sucesso de tal proposta, faz-se necessária a aprovação da:

i. PEC nº 416: acrescenta o art. 216-A à Constituição para instituir o SISTEMA NACIONAL DE CULTURA. Foi analisada por Comissão Especial, que aprovou o parecer favorável do Dep. Paulo Rubem Santiago. Parecer aguarda publicação. Será votada em dois turnos pelo Plenário para, posteriormente, ser remetida ao Senado Federal.

12) Promover a desoneração tributária das cadeias produtivas da economia da cultura, da economia criativa e das indústrias criativas, estimulando o empreendedorismo cultural e a geração de trabalho e riquezas.

a. Para o sucesso de tal proposta, diversas iniciativas tramitam no Congresso Nacional, visando a desoneração tributária das cadeias produtivas da economia da cultura. Dentre elas destacam-se:

i. PEC 98/2007: conhecida como PEC DA MÚSICA, altera a Constituição Federal de 1988. Acrescenta a alínea “e” ao inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, instituindo imunidade tributária sobre os Fonogramas e Videofonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou lítero-musicais de autores brasileiros, e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Aprovada pela Comissão Especial Está na Mesa para ser incluída na Ordem do Dia. Já esteve na pauta e foi retirada. Votação em dois turnos. Após aprovação segue para o Senado Federal.

ii. O Simples da Cultura foi aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro do ano passado e tornou-se aLei nº 133/2009. Reduz a carga tributária para produções cinematográficas, artísticas e culturais, corrige uma distorção criada em dezembro de 2008, quando o setor foi enquadrado de forma inadequada no chamado Supersimples. A alíquota mínima passa a ser de 6%, em vez de 17,5%. Dados do IBGE indicam que 5% das empresas brasileiras desempenham atividades culturais. O setor emprega mais de 1 milhão de pessoas.

iii. É necessário estimular a utilização, pelo setor produtivo da cultural, da figura do empreendedor Individual, como forma de desoneração tributária

iv. É necessário fazer chegar ao Congresso Nacional novas propostas de regulamentação de Profissões Culturais, tais como centécnicos, técnicos de som, produtores culturais, dentre outras.

13) Diversificar as modalidades de financiamento à cultura, tais como: financiamento para a produção cultural junto aos bancos; definição de percentual dos impostos pagos pelas multinacionais e pelo sistema financeiro para o Fundo Nacional de Cultura; obrigatoriedade de oferta de contrapartidas culturais por parte de empresas beneficiárias de isenções fiscais.

14) Implementar programas de modernização e qualificação da gestão cultural na União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

15) Elaborar, aprovar e executar os planos de cultura e planos setoriais de cultura nos três âmbitos federativos, a partir das propostas aprovadas em suas respectivas conferências.

a. PL nº 6.835/2006, na Câmara e PLC nº 56/2010 no Senado: institui o Plano Nacional de Cultura (PNC). Aprovado na Câmara, encontra-se no Senado, onde será apreciado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, de Assuntos Econômicos e de Educação, Cultura e Esporte, cabendo à última a decisão terminativa. Após ser aprovado nas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Assuntos Econômicos, está na Comissão de Educação, Cultura e Esporte aguardando distribuição.

16) Implementar o sistema de informações e indicadores culturais nas três esferas bem como os sistemas setoriais de indicadores e informações culturais, em cada uma das linguagens artístico-culturais.

Participe do Concurso Valores Fora do Eixo

Em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Circuito Fora do Eixo está realizando o Concurso Valores Fora do Eixo. O Concurso tem por objetivo promover os valores enunciados na Carta de Princípios do Circuito Fora do Eixo em consonância com a campanha Mostre Seu Valor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A proposta visa a diversidade de segmentos artísticos, sendo
possível concorrer nas categorias Música, Literatura, Artes Visuais,
Audiovisual ou Outros. O concurso se estende além das fronteiras
nacionais. Poderão ser inscritos projetos em português e espanhol,
dando continuidade ao diálogo que o CFE vem estabelecendo nas Américas
do Sul e Central.

As inscrições estarão abertas de 14 de julho de 2010 até 28 de agosto de 2010. O candidato deverá preencher a ficha de inscrição disponível no endereço www.valores.foradoeixo.org.br, e após preencher a ficha, deverá enviar os anexos para o email mostreseuvalor@foradoeixo.org.br, até às 23h59 de Brasília (DF) da data de encerramento referida.

O Regulamento ficará à disposição dos interessados no portal www.valores.foradoeixo.org.br e nos endereços ali indicados.

Inscrições abertas para o III Congresso Fora do Eixo – Região Centro Oeste

O Congresso Fora do Eixo é o grande encontro anual dos Pontos Fora do Eixo e em 2010 se realizará em etapas regionais que antecedem o encontro nacional. As inscrições seguem abertas até o dia 25. Os coletivos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal se encontrarão nos dias 04, 05, 06 e 07 de agosto, em Brasília.
Qualquer pessoa interessada pode se inscrever – produtores, musicos, jornalistas ou apenas quem quiser conhecer mais sobre o Circuito Fora do Eixo. Para isso, basta preencher o formulário no link abaixo:
Para mais informações, acesse www.foradoeixo.org.br/congresso.

PCult ou, como diria Arnaldo: mais louco é quem me diz

Texto: Alex Antunes

Retirado do blog http://partidodacultura.blogspot.com/2010/07/pcult-ou-como-diria-arnaldo-mais-louco.html

Durante anos nos acostumamos a pensar que a relação mais estreita entre “política” e “cultura” era o convite oportunista a músicos populares para atrair a massa desavisada aos comícios. Ou, o que é melhor, mas não muito, esses lobbies que os produtores e artistas fazem de vez em quando para garantir alguma reivindicação pontual. Os pequenos orçamentos e a relativa desimportância historicamente atribuida ao Ministério da Cultura são um retrato dessa visão banal: a do artista como um convidado até desejável para abrilhantar eventos públicos, porém um interlocutor pouco levado a sério em última instância.

Mas isso é uma falácia, um resíduo da pior jequice de nossas “elites”, e uma distorção das mais perigosas. Pois toda a cultura é “política”, no sentido de que é a visão que um povo tem e constantemente reelabora de si mesmo; o começo e o fim do processo da identidade psicossocial. E toda a política também é “cultura”, no sentido de que são os atores sociais, ao encenar os anseios do país, que rascunham o roteiro do nosso destino. Se alguns de nossos atores políticos são canastrões, isso não faz deles apenas maus performers, mas principalmente maus políticos.

Afinal, quem descreve melhor o Brasil? Tim Maia, Nelson Rodrigues, Oswald de Andrade, Gláuber Rocha, Zé Celso? Ou Maluf, Jader Barbalho, Collor, ACM, Celso Pitta, Jânio Quadros? Claro, todos descrevem. Mas a quais deles já entregamos o poder? E quais deles agiram como Marx, o Groucho, esnobando o clube que os aceitasse? É essa lógica que está sendo subvertida nesse momento. Desde que um pensador de origem contracultural como Gilberto Gil aceitou o Ministério da Cultura, mesmo com erros e acertos, um processo maior foi posto em movimento.

Surge uma crescente preocupação com questões como a da renúncia fiscal, que ainda deixa na mão daquela elite arrivista e um tanto precária a decisão de que artistas “agregam prestígio” às suas marcas comerciais, fazendo cortesia com o chapéu alheio (o nosso, por sinal). Ou não só a profunda desorganização corrupta, mas principalmente o desacerto conceitual jurídico na questão da arrecadação e defesa dos direitos autorais e de imagem.

É “cultura” um país não poder biografar independentemente suas figuras públicas, coisa essencial para a nossa autocompreensão como nação? É “cultura” os herdeiros se sentarem em cima do legado cultural de algumas de nossas principais inteligências, e estagnarem obras que ainda são tão vigorosas como seus autores, quando vivos?  Claro, essas são questões pontuais, mas bastante sintomáticas do atraso e da postura defensiva da nossa ex-intelligentzia. O mundo já é outro, e o Brasil é outro dentro desse outro mundo. Ao invés de negar estes tempos, vamos vivê-los. Rápido. Pois, como disse Pena Schmidt, a cultura é para a sociedade do conhecimento o que foi o aço para a revolução industrial.

Assim, começa a ficar mais clara a urgência psicossocial que faz emergir um “partido da cultura”, um grupo suprapartidário que converge não por oportunismo ou mesmo interesses de categoria, mas por paritlhar ferramentas novas e um otimismo ímpar e libertário ao pensar o Brasil. Esse país que, centenas de anos depois, ainda é um impasse, uma terra conflagrada, cindida por diferentes interesses e mesmo diferentes projetos de civilização. Mas que também é um cadinho maravilhoso, um laboratório de onde a até pouco suposta “periferia” da civilização vislumbra os seus avanços mais originais e arrojados.

Se hoje a “arte” e a “tecnologia” entendem isso melhor do que a “política”, reinicie-se a política. Ou: pense nos nossos políticos e lembre-se, como disse Arnaldo Baptista, que “mais louco é quem me diz/ E não é feliz”

Alex Antunes é jornalista, escritor, curador e blogueiro

Circuito Fora do Eixo lança Concurso de Valores

O Circuito Fora do Eixo sela a parceira feita com a ONU (Organização das Nações Unidas), com o concurso Valores Fora do Eixo, que tem por objetivo promover os valores enunciados na Carta de Princípios do Circuito Fora do Eixo em consonância com a campanha Mostre Seu Valor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Móveis Coloniais de Acaju no Grito Rock RJ

A escolha de “valores de vida” surgiu após a campanha Brasil Ponto a Ponto, que escutou mais de meio milhão de brasileiros para definir o tema do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional 2009/2010. Valores de vida são valores humanos quando praticados, tais como respeito, responsabilidade, tolerância, convivência pacífica, entre outros.

Público do Festival Calango(MT)

A proposta visa a diversidade de segmentos artísticos, sendo
possível concorrer nas categorias Música, Literatura, Artes Visuais,
Audiovisual ou Outros. O concurso se estende além das fronteiras
nacionais. Poderão ser inscritos projetos em português e espanhol,
dando continuidade ao diálogo que o CFE vem estabelecendo nas Américas
do Sul e Central.

Arte em pôsteres no Festival Fora do Eixo RJ

A Comissão Julgadora será composta por jurados indicados pela Organização do Concurso Valores Fora do Eixo, sendo estes representantes do PNUD, CFE e profissionais de reconhecida atuação em cada categoria.

Os selecionados receberão vasta exposição através de mecanismos como veiculação através de outros parceiros do PNUD no relatório de Desenvolvimento Humano, Divulgação de destaque no site oficial do Concurso (valores.foradoeixo.org.br) e no site oficial da campanha Mostre Seu Valor (www.mostreseuvalor.org.br), Veiculação na Mostra Itinerante Valores Fora do Eixo, que passarão em no mínimo 5 festivais do Circuito Fora do Eixo, entre setembro e dezembro 2010: Calango, Jambolada, Varadouro, Transborda e Macondo Circus, Hospedagem e alimentação nos festivais onde se realizarem a Mostra Itinerante Valores Fora do Eixo. No caso do audiovisual, ingressarão no catálogo do Clube de Cinema Fora do Eixo e serão veiculados em cineclubes que integram toda a rede de AV do CFE.

Artes Visuais no Festival Varadouro(AC)

Festival Jambolada(MG)

CONCURSO

O Concurso Valores Fora do Eixo é uma realização do Circuito Fora do Eixo em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O Concurso Valores Fora do Eixo tem por objetivo promover os valores enunciados na Carta de Princípios do Circuito Fora do Eixo em consonância com a campanha Mostre Seu Valor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).  

INSCRIÇÃO

As inscrições estarão abertas de 14 de julho de 2010 até 28 de agosto de 2010. O candidato deverá preencher a ficha de inscrição disponível no endereço www.valores.foradoeixo.org.br, e após preencher a ficha, deverá enviar os anexos para o email mostreseuvalor@foradoeixo.org.br, até às 23h59 de Brasília (DF) da data de encerramento referida.

O Regulamento ficará à disposição dos interessados no portal www.valores.foradoeixo.org.br e nos endereços ali indicados.

OBSERVATÓRIO FORA DO EIXO

O lançamento do concurso será na segunda feira, 19/07, durante o Observatório Fora do Eixo, com a presença de Flávio Comini pelo PNUD e Pablo Capilé, do CFE.

O Observatório Fora do Eixo é uma frente gestora da rede de coletivos culturais independentes do país chamado Circuito Fora do Eixo.  O principal intuito do Observatório é aprimorar os princípios norteadores do Circuito através de suas frentes gestoras, possibilitando o desenvolvimento cada vez maior dos trabalhos concebidos em rede.

O programa será transmitido segunda feira, 19/07, às 19h pela rede social (foradoeixo.org.br) e pelo twitter (@foradoeixo). Mais informações www.valores.foradoeixo.org.br

PRÓXIMOS PROJETOS

Posterior ao prêmio já existem outros projetos agendados através da parceria do Circuito Fora do Eixo com o PNUD. São eles: Realização da campanha ‘Stand Up’ através do projeto de ‘Noites Fora do Eixo Temáticas’; Elaboração de um selo de valores, e veiculação em materiais gráficos do CFE; Distribuição de mídias da campanha ‘Mostre Seu Valor’ em festivais realizados por coletivos do Circuito Fora do Eixo.

CIRCUITO FORA DO EIXO

Circo Voador, no Festival Fora do Eixo RJ

O Circuito Fora do Eixo é uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho constituída por coletivos de cultura espalhados pelo Brasil, pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo, da divulgação, da formação e intercâmbio entre redes sociais, do respeito à diversidade, à pluralidade e às identidades culturais, do empoderamento dos sujeitos e alcance da autonomia quanto às formas de gestão e participação em processos sócio-culturais, do estímulo à autoralidade, à criatividade, à inovação e à renovação, da democratização quanto ao desenvolvimento, uso e compartilhamento de tecnologias livres aplicadas às expressões culturais e da sustentabilidade pautada no uso de tecnologias sociais. Mais informações na rede social www.foradoeixo.org.br.

Brown-Há no Quebramar 2010

A Banda Brown-há se apresentou no Festival Quebramar, em Macapá. Confira o que foi dito a respeito da banda no blog do festival.

Brown-há se apresentou no Festival Quebramar, em Macapá

Após uma pequena sequencia de Metal, o clima volta-se para algo mais clássico, o rock n’ roll puro e sem mutações da banda Brown-Há, que provou que em terras brasilienses não se vive só de politicagem, como dito em uma marcante canção do grupo: “Eu quero viver de rock n’ roll…”. Se realmente se pode viver eu não sei, mas um puta show digno de aplausos rola fácil! 

Electro Domesticks no blog do Coletivo Retomada de Montes Claros

No último final de semana a Banda Electro Domesticks, juntamente com a Meias Descolridas, pegaram a estrada rumo a Montes Claros, para uma apresentação na Casa Fora do Eixo. Confira o que foi publicado pelo Coletivo Retomada sobre o evento.

Electro Domesticks na Casa Fora do Eixo, Montes Claros. Foto por Afrânio 13

As mulheres surpreenderam o público montesclarense no último fim de semana. O evento Rock das Garotas, mostrou toda a competencia das roqueiras.

Para começar, quem encantou a galera foi a banda 3 é Ímpar. Como representante de Montes Claros durante a noite, a banda mostrou a qualidade do seu repertório autoral.

O segundo show da noite foi com a banda Meias Descoloridas, que trouxe direto de Brasíliaum som repleto de influências, em uma mistura de bossa nova+70’s funk+rock+poesia+anti-arte+surrealismo que impressionou o público local.

E para fechar a noite se apresentou mais uma banda de Brasília, a Electrodomesticks, que colocou a galera presente para dançar com um som característico que mescla rock com música eletrônica.

Neste domingo o Coletivo Insônia de Samambaia realiza o Festival Fôlego

O Festival Fôlego, é o quarto evento do Coletivo Insônia de Samambaia, e essa edição é dedicada ao Rock And Roll,
 Serão cinco bandas, sendo duas de Samambaia e três convidadas de outras cidades., conheçam as bandas:
 
Estereofonia (Samambaia): www.estereofonia.hd1.com.br
Dog Savanna (Guará): www.myspace.com/dogsavanna
Banda Catorze (Plano Piloto): www.myspace.com/bandacatorze
Cassino Supernova (Plano Piloto): www.myspace.com/cassinosupernova
DF 130-2 (Samambaia): www.myspace.com/df1302
 
Festival Fôlego
Domingo 18 de Julho à partir das 16 Horas
Local: Bar da Toinha- Samambaia Norte
Quadra 208- Atrás do Supermercado Caíque, próximo ao Banco BRB
Entrada: R$ 2,00
 
Realização: Coletivo Insônia de Samambaia
Informações: www.coletivoinsonia.blogspot.com
coletivoinsonia@gmail.com
9280-0966/ 9279-2435/ 9141-8037

5ª Noite Fora do Eixo – Energia, otimismo e puro rock n’ roll

Fotos: Cadu Andrade

Texto: Bruno Silva

Flyer de divulgação da 5ª Noite Fora do Eixo

A sensação era de repeteco: mais uma sexta-feira fria na capital, mais uma vez Lenine se apresentava na cidade, e mais uma vez a Noite Fora do Eixo se apresentou como uma ótima opção de diversão, aumentando ainda mais a diversidade cultural e a força do cenário de música independente em Brasília. E, mais uma vez, o público compareceu ao evento organizado pelo Coletivo Esquina. Por volta das 22h30, o Velvet Pub já estava movimentado pelo público, que escutava a discotecagem de Octavio Schuenck e aguardava as grandes atrações da noite: as bandas Beladita Maldona e Tereza.

Beladita Maldona (DF) abre a 5a Noite Fora do Eixo. Clique para ver a galeria de imagens do evento

Representando a cena local, o Beladita Maldona entrou no palco munido de cervejas, bastante atitude e, com destaque, guitarras feitas por um dos próprios integrantes do grupo – o guitarra-solo Guilherme Vieira. E, logo nos primeiros acordes, deu para ver o quanto os instrumentos estavam afinados para o rock. Não era apenas o vocalista que gritava. A guitarra gritava. O baixo gritava. A bateria e o teclado gritavam. Todos, em uníssono, gritavam o mais puro rock que parecia fazer parte da alma de cada um. “Doido é quem não entende o rock n’ roll“, já disse o nome e refrão da música que abriu o show.

Beladita Maldona faz apresentação irreverente com puro rock. Clique para ver a galeria de imagens do evento

As músicas do Beladita prestam um sincero tributo para os deuses do rock. Isso ficou claro no riff marcante de A lei, na bateria empolgante de Inimiga e na presença de palco irreverente – principalmente por parte do vocal Leandro Kdista. E se alguém ainda não havia entendido qual era a cara da banda, não restaram dúvidas quando o guitarrista e backing vocal Renato Alves empunhou o microfone e cantou Highway to Hell, do AC/DC. Ainda sobrou espaço para um pouco de emoção, quando Leandro dedicou a canção Beladona Maldita ao falecido amigo que ajudou a escrevê-la.

Tereza faz sua primeira apresentação em Brasília. Clique para ver a galeria de imagens do evento

Após seis músicas e aproximadamente quarenta minutos de puro rock, os rapazes deram lugar no palco para a banda niteroiense Tereza. Com grandes apresentações na bagagem, incluindo a do Grito Rock 2010 no Rio de Janeiro, a banda tocava em Brasília pela primeira vez e se encantou com o clima e a paisagem da cidade. Não é a toa que o guitarrista Matheus Sanches deixou isso explícito durante sua apresentação. Como resultado, eles estavam a vontade no palco – e assim conseguiram mostrar o que tinham de melhor.

Presença de palco do Tereza é contagiante. Clique para ver a galeria de imagens do evento

A presença de palco da Tereza é algo fora do normal. Os cinco integrantes transmitiam uma alegria contagiante de forma muito simples. Era impossível não se sentir bem. E tudo isso ficou ainda melhor com músicas dançantes como Todo começo tem um fim e Garota engraçada. Mas isso não era tudo que a banda tinha a oferecer. A Tereza parecia ter de tudo – as músicas tinham guitarra, mas também tinham cowbell, escaleta e ukelele. Tinham rock, mas flertavam com o ska, o country e o blues – e sempre mantendo uma energia muito positiva. No final, não foram só os garotos de Niterói que se deixaram encantar por Brasília. O público brasiliense que esteve lá também se deixou encantar, e saiu esperando pelo próximo show.

E com esse gostinho de quero mais que se encerrou a Noite Fora do Eixo, ao som do DJ Octavio Schuenck, que supriu bem a ausência de Tuzão, que não foi discotecar por causa de uma gripe. Músicos, pagantes e organização saíram satisfeitos com o evento, e consolidaram cada vez mais a Noite Fora do Eixo como porto seguro de quem gosta de música independente, autoral e de qualidade.

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