Música de qualidade invade o palco do 1º Festival Esquina Instrumental

Fotos por: Cadu Andrade

Texto: Rodrigo Serpa

O clima em Brasília no início da noite da última quinta-feira (16/09) era desértico, mas o solo era fértil para a música de boa qualidade. E mais: instrumental!  O Coletivo Esquina realizou no Teatro dos Bancários o 1º Festival Esquina Instrumental, evento voltado para esse gênero ainda pouco difundido, mas que vem numa crescente arrebatadora nos últimos anos, além de revelar muitas das boas bandas de rock brasileiras atuais, como Pata de Elefante e Macaco Bong. Os cuiabanos do Macaco Bong, aliás, eram uma das atrações do primeiro dia de festival, que será resumido nas poucas linhas subsequentes, sem a pretensão de tentar ser fiel à epopéia sonora vivida pelos presentes no local. Só quem compareceu ao evento entenderá o misto de sentimentos e magia que a música instrumental proporciona aos seus expectadores.

A banda Horta Project foi a primeira a ser apresentar no Festival

A primeira banda a subir no palco do Teatro dos Bancários foi o Horta Project. O trio brasiliense faz um som coeso e pesado, guiado pela guitarra distorcida de Rodrigo Drummond, vulgo Vegetal. A apresentação da banda já havia ganhado o público com seu hard core com pitadas de funk, mas eles ainda traziam na manga uma carta para arrebatar de vez os presentes.

A dançarina Bruna Vasconcelos surpreendeu o público no festival

A certa altura da apresentação foi chamada ao palco a dançarina Bruna Vasconcelos. Caracterizada com roupas de dança do ventre, a bela era puro charme e sensualidade enquanto realizava uma gama de movimentos de quadris, braços e pernas ao som pesado do Horta Project. Surpreso, ao público só restou admirar aquele momento inesperado e, sem dúvida, certeiro.

A dançarina levou charme e sensualidade ao palco do Festival Esquina Instrumental

O festival teve uma baixa de última hora. A banda Cultue, de Mato Grosso, teve problemas com as passagens e não conseguiu vir à Brasília a tempo do festival. Dessa forma, a segunda banda a subir no palco foi Maria Cotovelo, projeto paralelo dos integrantes da já consagrada banda de Brasília Lafusa. Que ia ser um show de altíssima qualidade eu não tinha dúvidas, até por já conhecer os integrantes da banda de outros carnavais e saber que se tratava de excelentes músicos. Mas mesmo com todos os prognósticos já traçados, consegui ser surpreendido no sentido mais positivo da palavra. “Massagem para os meus ouvidos” é como defino aqui o show do Maria Cotovelo.

Maria Cotovelo no Festival Esquina Instrumental

Uma mistura de blues, jazz e pscodelia setentista invadiu o Teatro. As stratocasters de som brilhante e perfeitamente timbradas, empunhadas por Aloízio Michael e Samyr Aiassami eram de uma singela absurda, amparadas por linhas de baixo muito bem elaboradas por Marcus Fanta. O plus da apresentação ficou por conta da gaita de Jamil Chequer. Mas o baterista Guilherme Guedes foi um dos grandes destaques da apresentação. Tanto nos solos quanto nas levadas, ele conseguia equilibrar a pegada virtuosa com a rítmica. Grande Show!

Maria Cotovelo é um projeto paralelo dos integrantes do Lafusa

Em determinado momento, Aloízio chama ao palco algum guitarrista da platéia para fazer uma Jam com a banda. “Nós nunca delimitamos quem seriam os integrantes do Maria Cotovelo”, disse. Tímido, o público não se manifestou, e Fernando Jatobá, guitarrista da banda Brown-há foi o sabatinado. Um grande momento do festival.

A banda fez uma grande apresentação no Festival Esquina Instrumental

Ainda faltava uma banda para subir no palco do Teatro dos Bancários aquela noite. E tratava-se nada mais nada menos que o Macaco Bong, premiadíssima banda nacional, expoente no rock instrumental da atualidade. A expectativa entre os presentes era enorme – e não poderia ser diferente.

Macaco Bong, direto de Cuiabá para o Festival Esquina Instrumental

A banda começa a apresentação já quebrando tudo com a música “Bananas for you all”. A guitarra de Kayapy é de uma sonoridade singular vinda de um pedal (ou algo parecido) o qual o guitarrista recorre poucas vezes para mexer durante as músicas. O timbre é altamente pesado, mas não deixa perder a leveza dos detalhes virtuosos que Kayapy coloca nas músicas. Na bateria, um “monstro”: Ynaiã é um show a aparte dentro do show que é ver uma apresentação do Macaco Bong. Já tinha visto a banda em outras ocasiões – no Circo Voador e em Uberlândia – mas ali, no Teatro, pude reparar melhor em Ynaiã. Extremamente agressivo na bateria (ao contrário do cara tranquilo que é fora do palco) ele tem uma pegada diferenciada. Não à toa é eleito melhor baterista em diversas premiações que participa.

Kayapy e sua guitarra de som singular

“Vamos tocar uma música chamada Shift, do nosso novo clipe disponível na internet”, anunciou o baixista Ney Hugo através de um microfone postado a seu lado, única forma de comunicação não-musical da banda com o público. Ao fim de cada música o entusiasmo dos presentes aumentava e no final da apresentação uma explosão sonora se deu no teatro. Enquanto Ynaiã e Ney Hugo seguravam a cozinha, Kayapy tirava os mais diversos sons de sua guitarra, toda deflorada, mas intacta sonoramente. Um a um, o trio se retirou do palco e o público, extasiado, só bateu em retirada após desligada a guitarra, que continuava a se manifestar mesmo sem a ingerência de seu dono.

Macaco Bong, uma das maiores bandas brasileiras da atualidade, no Festival Esquina Instrumental

Uma noite memorável. Um passo importante para a música instrumental em Brasília. O saldo do primeiro dia foi totalmente positivo.

Confira amanhã a resenha sobre o segundo dia do festival.

Confira mais fotos do evento aqui: http://www.flickr.com/photos/coletivoesquina

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Sobre Coletivo Esquina
O Coletivo Esquina surgiu voltado para atender o cenário musical indepentente de Brasília e também responder por um dos pontos da cidade vinculados ao Circuito Fora do Eixo.

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