O Valor. Móveis Convida Rolla Pedra por Pedro Branco.

Agradecer significa aprender a dar o valor das coisas às coisas. Sem aprendizado, o agradecimento é apenas um verbete da língua portuguesa que utilizamos de maneira política para evitarmos atritos desnecessários em situações de conflito. Agradecer é dar o devido; é retornar à origem. Nada superior. O agradecimento é terreno, horizontal: descansa sem esforço nas palavras que dizemos olhando nos olhos, enquanto o sangue circula, cada um separado do outro, em pulsações que se alternam sob nossas mãos que se tocam por segundos, mãos que manusearam tantas outras coisas. Mãos que não se despedem quando se afastam.

Digo isso porque agradeço. Agradeço pessoas, não nomes, e, por isso, não acho que vale a pena listá-los aqui, porque, como nos créditos dos filmes, cada pessoa, cada participação, cada litro e meio de suor que alguém deu pra fazer aquilo acontecer, fica resumido em uma dúzia de caracteres que correm, rápidas, para o topo da tela, enquanto os espectadores vão deixando a sala, indiferentes; nós, que fizemos, em pé, atrás da tela, alvos de olhos que não nos conhecem e não nos vêem. Não quero sujeitar essas pessoas à indiferença, não quero resumi-las em alguns caracteres do insosso alfabeto latino. Elas podem não saber quem são, mas eu sei, me lembro de cada uma. E agradeço, porque aprendi, com cada uma, o seu pouquinho.

A todos que colocaram seu tijolinho para fazer o Rolla Pedra acontecer, parabéns. Vocês viram, vocês sabem. Não há nada mais que eu possa falar sem correr o risco de parecer supérfluo. Vocês viram, vocês sabem.

Agora é o futuro. Vida longa ao Rolla Pedra, esse palco onde colocamos em ação nossos sonhos: nossa música, nossa atitude, nossas esperanças de ver esta cidade e este país invadidos pelos próprios filhos deste solo. Podemos, sim, ser fãs dos nossos vizinhos. Não precisamos de ídolos inatingíveis, precisamos de pessoas como nós, que nos ofereçam aquilo que lhes cabe. Precisamos de menos pretensão. Queremos música, queremos viver a música. E enquanto alguns já estão correndo atrás, outros de nós só estão esperando um festival desses pra botar pra frente aquela banda que nunca saiu do papel. E se não der certo, tá tudo bem ainda.

Este é um sonho que eu vivo.

E para quem olha com descrença para esse sonho, olhe de novo. Está acontecendo, querendo vocês ou não, e em breve sairá do nosso controle. Mas, por ora, passou. Para todos que estavam lá fica aquela sensação (que eu imagino que deva se parecer com a de ser um super-herói) de ter participado de algo monumental, de ter salvo o dia. Talvez tenhamos feito história nos últimos três dias. Para mim, não importa mais do que ter simplesmente tido a oportunidade de dividir o meu tempo com pessoas tão fodas que estão sonhando juntas e fazendo acontecer.

A vocês,

muito obrigado.

por Pedro Branco

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Sobre Octavio Schwenck Amorelli
geógrafo músico cineasta

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