Panorama da cena roqueira da cidade dominou o Festival Rolla Pedra (Correio Braziliense)

por Pedro Brandt
texto original publicado em:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2010/12/14/interna_diversao_arte,227585/panorama-da-cena-roqueira-da-cidade-dominou-o-festival-rolla-pedra.shtml

Durante três dias, o festival Rolla Pedra: Música de Brasília apresentou ao público um relevante cardápio da produção roqueira da cidade. A ideia do evento foi homenagear a capital do país no ano em que Brasília completou cinco décadas. Assim, de sexta a domingo, 50 bandas, representantes de três gerações do rock brasiliense, passaram pela arena montada na Esplanada dos Ministérios, ao lado do Teatro Nacional.

O Móveis Coloniais de Acaju encerrou a noite de sábado com a alegria habitual, em apresentação apoteótica (Fotos: Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press)
O Móveis Coloniais de Acaju encerrou a noite de sábado com a alegria habitual, em apresentação apoteótica

Se a quantidade de participantes transformou o evento numa verdadeira maratona musical, desafiando o pique dos presentes com pelo menos oito horas de música por dia, o número de bandas só reforçou a variedade de propostas musicais feitas em Brasília — do hardcore tresloucado do Galinha Preta ao canto cheio soul de Ellen Oléria, do rockabilly dançante de Os Dinamites ao vigor dos clássicos da Plebe Rude, passando pelo heavy metal virtuoso do Khallice, pela apoteótica apresentação do Móveis Coloniais de Acaju e pelo divertidíssimo revival dos anos 1990 com o trio Little Quail and the Mad Birds.

A curadoria acertou na seleção de bandas ao valorizar os novatos de potencial e grupos que já estão agitando o cenário local — seja lançando novos materiais (discos, EPs, singles etc.) ou organizando seus próprios shows e eventos. A parceria com outras iniciativas da cidade, como o Móveis Convida e o Coletivo Esquina, também merece destaque. A turma do Móveis Coloniais de Acaju — que na semana passada organizou uma série de palestras e oficinas sobre produção e políticas culturais — trouxe know-how e entusiasmo para somar ao da equipe do Rolla Pedra. O Coletivo Esquina fez entrevistas em vídeo com várias bandas e cobriu o festival alimentando o Twitter do evento com notas sobre os shows.

A programação foi dividida em dois palcos, ambos cobertos, localizados em tendas no formato de túnel. Uma ou outra banda teve pequenos problemas de som, mas, no geral, os operadores de PA (o som que vai para o público) não decepcionaram — algo que não é constante em festivais de rock na cidade.

O acesso à arena era permitido mediante a doação de 1kg de alimento não perecível. Em três dias, o Rolla Pedra reuniu aproximadamente 10 mil pessoas e arrecadou quase 10 toneladas de alimentos.

Dia a dia
Sexta-feira foi a noite do som pesado, com punk rock, hardcore e heavy metal em variadas vertentes. Todos os shows foram concorridos, mas foi do Galinha Preta a apresentação mais animada, com direito ao vocalista Frango puxando o coro com a galera na música Vai trabalhar, vagabundo. “Galinha Preta é a melhor banda do Brasil! E nós não estamos brincando”, disse Anderson Foca durante o show de sua banda, a potiguar Camarones Orquestra Guitarrística, um dos destaques da programação de sábado, com um rock instrumental dançante e presença de palco cheia de carisma.

Depois do show da Camarones, Foca (também organizador do festival Do Sol, em Natal) recebeu dois convites para voltar a Brasília com a banda. “A plataforma de festivais independentes serve para isto: apresentar as bandas ao público. E tanto nesse quesito quanto em estrutura para as bandas, o Rolla Pedra é um dos melhores festivais que vi este ano”, elogiou o produtor, enquanto assistia à performance de Ellen Oléria: “Que mulher é essa? É uma das cantoras mais legais que eu vejo em muito tempo”. A comunhão que Ellen conseguiu com o público só não foi maior do que a da banda Móveis Coloniais de Acaju, que fechou a noite de sábado com a alegria de sempre.

E se a ideia do Rolla Pedra era homenagear a cidade juntando no festival três gerações do rock de Brasília, a programação de domingo deixou clara a influência do Little Quail em vários dos grupos escalados. Em cima do palco, Gabriel, Zé Ovo e Bacalhau relembraram clássicos dos codorninhas (1,2,3,4, Berma is a monster, Aquela, Azarar na W3…) e ainda tocaram músicas das bandas Filhos de Mengele e Sunburst (momento no qual Bacalhau homenageou o falecido guitarrista Fejão).

No show da Plebe Rude, o vocalista Philippe Seabra provocou: “Espero que as bandas de Brasília estejam como a gente daqui a 30 anos”. O guitarrista Clemente retrucou: “Trinta anos sem ganhar dinheiro!”. Brincadeiras à parte, Seabra tem razão: a Plebe está em ótima forma. A apresentação do quarteto foi um encerramento mais do que adequado e coerente para a proposta do festival — há algum tempo, uma das mais importantes iniciativas roqueiras em Brasília.

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Sobre Octavio Schwenck Amorelli
geógrafo músico cineasta

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