Berro rock, peço rock, quero ROCK! por Pedro Branco

Berro rock, peço rock, quero ROCK!. texto publicado originalmente no
BrancoSobre Branco

Senhor@s leitor@s,

 

Com grande poder, vem grande responsabilidade. O conhecimento é um grande poder, e não posso ignorar que conheço uma situação que me deixou constrangido – enquanto um entusiasta do cenário musical brasiliense -, portanto, tenho a honra, o dever e a responsabilidade de quebrar meu jejum neste blog com algumas palavras sobre o assunto. Quem anda acompanhando o processo GRITO ROCK 2011 saberá do que eu estou falando.

 

Nossa luta é comum: estamos procurando nosso espaço. Seja indie rock, heavy metal ou electro-brit-pop-indie-billy, estamos todos juntos num grande porta-aviões, onde alguns (thanks, MAN!) decolam, outros não, outros têm medo, outros se afogam. Não estamos separados, porque isso se provou infrutífero. Foi quando estivemos separados que a casa ficou abandonada, e Brasília foi largada aos dance-jovempan dos anos 90. E, pra mim, a medalha que ganhamos foi um belíssimo espetáculo de misturas, sorrisos e colunas de ar pressurizado no NOSSO Rolla Pedra 2010.

Então eu me pergunto: o que fez do Rolla Pedra um circo tão gostoso? Seriam as motocicletas no globo da morte, no primeiro dia, que reuniu pilotos tão diferentes – alguns, talvez, podendo cair, como Os Maltrapilhos (max. plays no Myspace: 405) e outros podendo voar (Galinha Preta – max. plays no Myspace: WTF IS MYSPACE?), as brincadeiras piromaníacas do segundo dia, que misturou grunge (Darshan), hip hop (Nonato Dente de Ouro e o Esquadrão de Ébano), instrumental (Camarones Orquestra Guitarrística), ska-balalaika-pop (Móveis Coloniais de Acajú), que botyou fogo em tudo, ou o terceiro dia, que equilibrou num malabarismo maluco os billys, os electros e os indies?

Não sei.

E continuo sem saber como diabos pode-se pensar que todas as 50 bandas estavam no mesmo nível. Esse é o bonito: NÃO ESTAVAM. Mas estavam juntos.

 

Agora, o Grito.

O Grito Rock 2011 abriu uma enquete pra que o público escolhesse, entre 3 opções por dia, a banda que mais queria ver. E há quem diga que isso é injusto. O que eu tenho a dizer?

Competição é gás. Participar de uma seletiva faz com que bandas menores tenham vontade e se eforcem para, por exemplo, gravar um disco, mesmo que rápido, ensaiar 4 dias na semana, divulgar seu Myspace, site, blog, twitter. A banda se envolve em algo que a faz tomar as proporções de seu esforço. Não é porque bandas grandes estão concorrendo que a iniciativa é desleal. Eu conheci grandes bandas assim, porque vi um nome legal em uma poll qualquer, e resolvi conferir. Quando se tem uma enquete com mais de 1000 visitações diárias em um blog cujo público quer música, eu acho que há alguma forma de vantagem.

Afinal, quem não quer ver sua banda circulando por aí? E mesmo que não se ganhe a enquete, algo se ganha. Então vamos parar de ficar agindo como se o propósito fosse dar os peixes pequenos na boca dos peixes grandes, porque isso dá menos publicidade que um páreo duro Stallone vs. Van Damme. Quer ver fracasso? Não mande seu material por aí, não estabeleça parcerias, não esteja às voltas com pessoas que querem fazer acontecer neste cerrado. Aí eu te garanto fracasso. Mas não aponte injustiça onde existe trabalho, esforço e fé, porque, dessa forma, a única coisa que se alcança é o enfraquecimento dos elos que nos unem e fazem do nosso sonho uma possível realidade.

 

E mais, cara:

Não aponte a promoção de um determinado evento como um bicho de sete cabeças. Grito Rock É UMA MARCA, e é bom que seja assim, um selo de qualidade, uma vinheta conhecida, uma forma de criar nesta porra de cidade mais um espaço pro rock, que seja megalomaníaco, que GERE DINHEIRO, SE POSSÍVEL, porque dessa forma haverão muitos outros. Ou então fique em casa reclamando (como estamos todos, porque tá foda), esperando até dezembro pra tocar no Rolla Pedra de novo, querendo desistir de ir pra outra cidade tocar por causa do dinheiro.

GRITO ROCK SOMOS NÓS QUE FAZEMOS. Ele vai sair do nosso jeito, porque nós acreditamos e estamos dando pedaços dos braços e pernas, NOSSO sangue, NOSSO trabalho, e se isso não é o suficiente, faça você mesmo! E aí, conte com nosso apoio.

Porque brincadeira teve seu espaço, o nosso negócio é coisa séria. Queremos viver de rock, comer rock, trabalhar rock, presentear rock. E desse nosso quintal cabe a nós mesmos cuidar. Não quer tocar?

FINE!

 

Espero que, ao menos, haja humildade suficiente no futuro para que se saiba julgar o que se construiu sob as marteladas que tomamos.

 

 

Amor pela música, e nunca raiva, vaidade ou orgulho, motivam aqueles que lutam.

 

Muita paz para todos, e nos vemos no Berro-Grito-Sussurro Rock 2011.

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Sobre Octavio Schwenck Amorelli
geógrafo músico cineasta

4 Responses to Berro rock, peço rock, quero ROCK! por Pedro Branco

  1. Marcelo Melo says:

    Gente… eu não acho que gravar mais rápido, ensaiar mais corrido e divulgar esse trabalho corrido vai fazer com que a banda de um gás. Ao contrario.. . acredito que se uma banda faz tudo ao seu tempo ela vai ter um resultado final melhor. Quando a banda sabe respeitar o tempo de cada passo q ela imagina pra si. Da minha parte eu nunca disse que é ruim um festival ter bandas em níveis diferentes. O que acho ruim é colocar bandas de niveis diferentes para disputar a mesma vaga. De fé tb nunca duvidei… afinal quem é musico independente (ainda mais em brasilia) sabe bem como é dificl continuar presente em meio a tanta correria e tanta informção difusa rolando por aí. Fracasso? tenho certeza que ninguém que trabalha serio.. seja o trampo que for… quer isso. O lance é valorizar o que é do musico, o que é para o para o músico, e com respieto ao publico que esse musico tem por objetivo alcançar.

    Mas nada disso é um problema . Estranho mesmo seria se todos pensassem igual, certo?! 😉

    Abraços Esquineiros!

    • Octavio Schwenck Amorelli says:

      esclareo apenas que o post editado por Pedro Branco original do seu prprio blog… brancosobrebranco.wordpress.com

      Abraos, *Octvio Schuenck Amorelli* Gegrafo , Msicoe Cineasta Master’s Degree Geography & Cinema Student Currculo LATTES Coordenao de Comunicao – Coletivo Esquina Papoulos Music on MySpace oct.schue@gmail.com *skype: octavioschuenck* +55 61 9153-2087

  2. Lamim says:

    Pedro, com todo respeito, acho que você não entendeu nada do que escrevemos. Quando puder me ligue, Octávio tem meu telefone.

    Abraço

    Lamim

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