Vamos falar de Ozzy?!

Só uma observação inicial… Acho que esse texto não terá nada a ver com grito rock, com festivais independentes ou com os shows que Lucas Santtana e Do Amor farão nesta semana em Brasília.

Os fatos são mais diretos. E menos interessantes para quase todos. Alguns meses atrás fora anunciado que Ozzy Osbourne viria a Brasília, por tudo que eu já ouvi, assisti, li e estudei (?A) sobre música e rock tratei a vinda do cara como uma espécie de obrigação! De um jeito simples: foi lindo! Foi foda! É uma pena que alguns espetáculos como esse estejam tão caros já em sua produção a ponto de isso ser revertido abusivamente ara o público. Mas é fantástico estar em um show cujos horários marcados sejam os horários executados. Aquela banda conhecida como SEPULTURA, Que começou em MG com dois irmãos, e hoje o único integrante da primeira formação é o baixista, que é tratada talvez como uma curinga para espetáculos internacionais no Brasil – sério quantas vezes vocês já viram ou pelo menos ficaram sabendo que o sepultura abriria o show de alguém – e o pior… quando eles vão pra gringa nem sempre são os headliners, na verdade quase nunca, nem o sepultura nem as bandas dos irmãos – cavalera conspiracy ou soulfly. Bem não quero ser o chato que critica o sepultura, apenas é um som que não me atrai tanto.

Pra vocês terem uma idéia, quando comecei a escrever esse texto eu nem pensava em falar do sepultura, apenas do show do Ozzy – que foi foda!

Enfim… O Sepultura mandou bem no palco, esquentou o público durante uma hora, e o Derick Green  se mostrou um tanto carismático. O show é repleto de clássicos da banda, canções com pelo menos 15 anos. Como um devido fã do Ozzy, metaleirozinho cri-cri e leitor de biografias fiquei imaginando o fantasma de Zakk Wylde desde a hora que entrei no Ginásio Nilson Nelson até o término do show do Ozzy.

E esse fantasma me trouxe novamente a impressão de longa data que me faz pensar “o que diabos há de excepcional nesse Andreas Kisser?”. Vi muita pose durante uma hora de Sepultura. E bem… podia ser o som do local…. podia ser o eclipse lunar do ano passado… Podem ser as várias horas que eu escuto jazz com joe pass e a barulheira do Sonic Youth… Mas ao observar a guitarra do Kisser me parecia que tocar sepultura era fácil, simples e que se o pedal de wah wah dele queimar durante um show ela não vai mais solar até o final da noite. De qualquer forma o Sepultura fez um bom show no prospecto de suas intenções. E o público sempre ovacionará. Sempre?!

(só para constar: assisti aos dois shows da noite ao lado de um tio/pai com meia-dúzia de guris de 12 anos impressionados com seu primeiro show de rock e ainda mais impressionados com qualquer músico que consiga tocar muito rápido – independente do que!!!)

Para quem quer saber mais ou discordar o sepultura tocou essas aí ó (e nessa ordem):

  1. Arise
  2. Refuse/Resist
  3. Dead Embryonic Cells
  4. Convicted In Life
  5. Choke
  6. Seethe (música até então do próximo disco)
  7. Troops Of Doom
  8. Septic Schizo
  9. Escape To The Void
  10. Meaningless Movements
  11. Territory
  12. Inner Self
  13. Roots Bloody Roots

Mas aí deu 21h… Kisser Paulo Jr. Derick Green e Jean Dolabella saíram do palco e a contagem para as 21h30, hora marcada pro Ozzy, foi acompanhada de um set de Ac/Dc anos 1970. Os técnicos montavam o palco e alguns detalhes eram legais de ver, alguns baldes d’água sendo posicionados pelo palco, uma mangueira de espuma que foi testada na platéia.. e um ventilador de chão no lado do palco aonde ficaria o guitarrista (hair-metal-glam-poser-hard-rock-aloka que isso hein!?)

Na pontualidade britânica as luzes se apagam e um senhor de idade, 62 anos, com sua desenvoltura visivelmente debilitada por ser quem ele é, entra no palco em passos curtos, meio encurvado com um sorriso sincero, hiper aplaudido. Cumprimenta o publico pedindo para que gritem mais – ele não pode ouvi-los… gritos, desmaios, sorrisos, choros, tatuagens tipo-tatto-de-chiclete com o nome do Ozzy, faixas, tinha de tudo. E o cara merece. Ele é o Ozzy. Então vem Bark at The Moon! Em relação a quem tocou com o Ozzy nos últimos anos essa nova banda dele são de garotos novinhos – até antes de lançar o ultimo disco “scream” ele tocava com Zakk Wylde (Black Label Society) e Mike Bordin (Faith no More).

Mas com eu disse antes – foi foda. “A próxima canção é do meu último álbum. Brasília ‘Let me Hear You Scream’”. Todos os riffs e solos são muito bem arranjados. Tudo é muito bem produzido. A platéia cantava tudo junto. Tudo. Até as falas e bordões durante e entre as músicas.

Tinha gente especial por lá. Adam Wakeman estava lá (filho do Rick, aquele tecladista psicodélico, progressivo, capaz de escrever para uma orquestra… e bem!) e sustentava as bases das canções no teclado e na guitarra. Já na terceira música lhe foi dado um momento de destaque. Executar a introdução de Mr. Crowley para uma platéia tão efervescida não é fácil, é pressão, e mais do que isso… As chances de não conseguir se ouvir ao tocar aquilo era muito grande. E Ozzy brincou com a platéia logo. A Música para ele faz todos gritarem alto o primeiro verso. Foi uma noite de clássicos. O set da atual turnê de Ozzy Osbourne é composto sumariamente das músicas do início de sua carreira solo e de músicas do Black Sabbath. E é o mesmo set para todos os shows.

A cada música Ozzy cumprimentou a platéia e pediu gritos. O show seguiu com “I don’t Know’, “Faires wear Boots” (Black Sabbath), “Suicide Solution”, “Road to Nowhere”. Então que o cara resolve falar mais ou menos isso “eu amo vocês, e agora vamos voltar um pouco mais no tempo, vamos tocar a próxima  canção chama da de ‘War Pigs’”. Se as pessoas podiam delirar mais naquele ginásio, foi isso que elas fizeram! Em corridas de passos curtos, com algumas tremedeiras às vezes, Ozzy Osbourne fez as, aproximadamente, 12 mil pessoas que lá estavam cantarem em uníssono. Na minha visão “War Pigs” é uma música conduzida unicamente pela bateria, algo que Tommy Clufetos fez bem, tecnicamente muito bem.  O jogo de luzes, a sirene, acho que parecia que tudo tinha saído da minha imaginação de como seria ver isso ao vivo. Então de volta aos anos 1980, “Shot in The Dark”, uma música que poderia ter sido composta por Gene Simmons e Paul Stanley, mas NÃO foi. E bem… como não era o Kiss ali em cima vamos deixar isso pra depois, basta dizer que enquanto o baixista Rob Nicholson pulava e girava no palco, Gus G se preparava para tomar as rédeas da situação. Ozzy aproveitou par apresentar a banda e disse “ok muito obrigado”, foi para trás do palco, dar um tempo, e a banda emendou na alucinação de “shot in the dark”. Esse momento se emendou em “Rat Sallad” também do Sabbath e recheada de solos. Até então eu tinha total antipatia por Gus G. Até por que ele estava no palco com algumas figuras um tanto mais carismáticas e estava sendo assombrado pelo fantasma de agradar tanto como Zakk Wylde – ao menos pra mim ele deveria fazer isso. Gus g fica só no palco e brinca com alguns riffs, martubações guitarrísticas e todo aquele bla bla bla… Mas o cara tem intenções de conquista o público em suas próprias facetas. Apesar de que ventilador na beira do palco pra ficar com pose galã-poser-hair-glam é foda… Mas talvez pensando em conquistar um sorriso do público Gus G resolve tocar “Brasileirinho”, em uma versão repleta de técnica, com 3216542 notas por segundo.Ele precisava ganhar a confiança do publico. E esse momento soa um tanto familiar pra mim.

Tá eu antipatizei com o cara e queria ver o Zakk Wylde ali, assim teria chance do Ozzy tocar ‘No More Tears’ em algum momento. O importante é que a gurizada de 12 anos ao meu lado vibrava e pensava em voz alta que queria fazer isso da vida, tocar guitarra, solar rápido e talz… Não que eu queira mais guitarristas no mundo… mas se eles se encaminharem pro rock e depois até estudarem outras vertentes podemos ter mais uma leva de bons músicos por aí…

Falando em músicos qual é o melhor amigo do músico? O baterista! Hahahah. Ok piadas a parte.

O Clufatos volta pra bateria, brinca um pouco com o Gus G e este sai… agora é a hora da bateria. Cara eu adoro bateria, acho um instrumento essencial e que demanda muito estudo, assim como todos os outros também demandam – tenta tocar harpa, é foda… mas eu não consigo entender o que as pessoas tanto vibram num solo de bateria. O Clufatos fez isso… e geral delira… vai saber né…

Ele começou rápido, aí ele fez muito rápido, depois ele fez mais rápido, ei ele começou oi pedal duplo, aí duplicou a velocidade do pedal, tudutudutudutudu PÁ tudutudu TIS TUDU TIS PÁ PÁ TIS TUDU TIS TIS pá pit pá pit dudududu Du Du Dudu pá PIS PIS… aí ele diminuiu a velocidade e os guris de 12 anos estavam boquiabertos, bem o metal precisa de bateristas assim… De repente eles viram um desses caras…

Mas aí a banda voltou pro palco… Aproveitando a condução de “Rat Sallad” Ozzy Volta e vem um dos momentos mais delirantes da noite… né? Claro… o cara canta IRON MAN!! Cara isso foi lindo… como todo roqueiro roupinha-de-couro, uma das primeiras músicas que eu tirei na guitarra na minha vida foi Iron Man. Isso no milênio passado, quando eu era uma desses guris de 12 anos que esperava louco para ver ao vivo um Metallica, um Black Sabbath, um Iron Maiden, um Prot(o), o guns e o red hot também… Então eu fiz um terceira guitarra (imaginária) para acompanhar o Gus G e Adam Wakeman, afinal tem mais de 12 anos que toco Iron Man, então me senti plenamente apto a acompanhá-los na guita enquanto as outras 12 mil pessoas cantavam com Ozzy. E pra rolar essa música dava pra sentir que o show estava perto do fim. E estava. Nesse instante a platéia já tinha sido agraciada com jatos de espuma e com as águas e os hidrolíticos que os músicos têm no palco para se reidratar. Baldes d’água e o refrão “I don’t wanna change the world, I don’t wanna the world to change me” apresentavam o que seriam o par de canções da Era Wylde de Ozzy. Após o turbilhão anos 1990 vem o final(?!) do show com o MadMan gritando – baixo se comparado ao público – ALL ABOARD HÁ HÁ HÁ  CRAZY TRAIN!! Um  dos riffs mais tocados pelos guitarristas que eu conheço dessa cidade foi o locomotiva do quase-final de uma grande noite. Nesse momento Gus G se mostrou mais autêntico em não emular Wylde ou Rhoads ou Iommi. Estranhamente no, talvez, maior clássico de Ozzy o novo guitarrista se mostrou menos “assombrado”.

“muito obrigado e boa noite, eu amo todos vocês”

“olé olé olé olê Ozzy Ozzy…”

“Perry mason!!! Perry mason! Perry Mason!!!”

“Obrigado, eu amo todos vocês, nós podemos tocar mais uma, duas, cinco. quem sabe dez canções”

Nessa hora o Gus G me decepcionou de novo pelos timbres que manteve, mas é indubitável que ouvir “Mama, I’m Comming Home’  pode mexer com as pessoas, arrepiar, levantar um isqueiro acesso, dar um gole mais forte na cerveja, acender um cigarro, não interessa, essa é uma musica feita pra ser bonita. Feita pra ser balada, feita pra emocionar durante o show. E pode acreditar… de tudo que eu vi por ali, roqueiros choram cara… mesmo quando o guitarrista toca com uns timbres errados…

Então Ozzy pega o microfone e encabeça um grito “one more song, one more song!”

O Black Sabbath é uma banda com milhares de riffs extremamente conhecidos. Se você fosse ao programa Sílvio Santos quantas notas você precisaria para reconhecer “Paranoid”? Duas?! Foi o necessário para a pista do Ginásio Nilson Nelson tremer loucamente em pulos coletivos. Os guris de 12 ano piraram. Todos piraram. Demais . Genial. Fantástico. Uma aula de história com certeza! Espero que a galera dos 12 anos comece a estudar baixo, guitarra e bateria essa semana… ou de repente viola da gambá e pandeiro… mas que estudem pra fazer o rock continuar rolando.

Só digo mais uma: é lamentável que essas produções cheguem tão caras ao Brasil, com preços tão abusivos. É lamentável também abusem também de áreas Vips, Premium e etc. Segundo o próprio produtor o show do Iron na semana passada custou R$ 3 milhões de reais e precisava de pelo menos 15 mil pessoas pra cobrir isso entre ingressos da pista e do Premium. Eu não quero terminar essa resenha defendendo apenas os shows de graça, até por que depender do Governo ou de Alguma empresa que queria abraçar totalmente o seu projeto é uma porcaria, mas algumas coisas precisam ser reavaliadas para custarem menos e receberem um público maior.

O Ozzy recebeu grande parte do público que ele merecia e deu um espetáculo extremamente satisfatório de 1h40!

  1. Back At The Moon (era Randy Rhoads)
  2. Let Me Hear You Scream (Era Gus G)
  3. Mr. Crowley (era Randy Rhoads)
  4. I Don’t Know (era Randy Rhoads)
  5. Faires Wear Boots (BLACK SABBATH)
  6. Suicide Solution (era Randy Rhoads)
  7. Road To Nowhere (era Randy Rhoads)
  8. War Pigs (BLACK SABBATH)
  9. Shot In The Dark (era Randy Rhoads)
  10. Rat Salad (BLACK SABBATH)
  11. Iron Man (BLACK SABBATH)
  12. I Don’t Want To Change The World (era Zakk Wylde)
  13. Crazy Train (era Randy Rhoads)
  14. Mama I’m Coming Home(era Zakk Wylde)
  15. Paranoid (BLACK SABBATH)

E vou aproveitar pra falar que faltou essa música hein

Ainda mais com o clima de Brasília receber um dos Bee Gees na semana que vem…

ALL ABOARD!!!

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Sobre Octavio Schwenck Amorelli
geógrafo músico cineasta

One Response to Vamos falar de Ozzy?!

  1. Isabelle says:

    “tatuagens tipo-tatto-de-chiclete com o nome do Ozzy”
    ISSO É VERDADE, HEIN!

    mas que show sensacional foi aquele! no words!

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