Esta noite – resenha da noite fora do eixo com watson, fleeting circus e club silencio.

Pra começar do início.

Eu acredito no acaso.

Pode parecer bobo, e até talvez seja, mas a primeira resenha que eu escrevi foi sobre o Watson.
Sobre aquele disco que eu ganhei de um amigo, que eu escutei uma vez, depois outra, depois outra. E depois ele foi tocando, simplesmente, e eu comecei a cantar junto. Depois, quando eu ia nos shows, eu cantava. E eu me sentia, de alguma maneira, conectado com toda a cena. Eram amigos que tocavam em uma banda.

WATSON, por nina puglia

WATSON, por nina puglia

E depois vieram outras bandas, e outros amigos que tocavam em outras bandas.
Ontem foi minha primeira participação em Noite Fora do Eixo como membro do Esquina. Outros amigos. E não existe quem não saiba a grandeza de se poder realmente conhecer uma pessoa, suas peculiaridades, as pequenas contrações dos seus músculos – num sorriso, num olhar, numa palavra. Afinal, procuramos tanto, e nos dizemos tão perdidos no meio das respostas que nos dão, mas se existir um sentido na vida, ele deve ser encontrado por algumas pessoas enquanto elas procuram qualquer outra coisa.

Procuram por outra cidade pra viver, por exemplo. Eu senti as veias do meu pescoço saltarem enquanto eu gritava as letras, que já nem lembro como aprendi. Pensei nas bifurcações do caminho enquanto olhava o rosto do Filipe, torcido, os olhos fechados com um filme passando lá dentro. Esta cidade vai sentir falta de uma das bandas mais talentosas destes anos, as pessoas vão sentir falta da pessoa. No trânsito, ninguém vai notar um carro a menos, e mesmo os mais observadores não devem perceber uma janela a menos com a luz acesa quando a noite cai no Planalto Central.
No final das contas, são todos moleques, brincando de fazer música, vendo o mundo brincar de girar, até que alguém é jogado pra fora. Me sobra um disco, que toca de vez em quando no meu som, no meu carro.
Que aparece de repente na memória, e um trecho de letra passa a fazer mais sentido. Ontem foi um grande show de despedida, de “até logo”, de “não esquece de voltar”.
Meu début, a casa cheia, as melhores vibes em tanto tempo. Outras pessoas de outra cidade, um EdMadness que me oferece uma cerveja, algumas visitas inesperadas, ruas e ruas de encontros e desencontros, e clichês amorosos, e outras duas bandas incríveis, e mais cerveja, e gritos, sorrisos e lágrimas.

fleeting circus, POR NINA PUGLIA

fleeting circus, POR NINA PUGLIA

O batera do Fleeting Circus moendo aquele setzinho do Velvet (nada é melhor para alguém com coração fraco – como eu – do que sentir aquele tanto de pressão sonora).

club silencio, por nina puglia

club silencio, por nina puglia

O Club Silêncio fritando aquele som sem sentido, sensacional, absurdo até onde valem os detalhes.

Enfim, passou.

Ficou, mas passou.

E eu não penso que as coisas voltam.

Mas elas definitivamente tendem a melhorar se a gente seguir em frente.

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Sobre Pedro Branco
Músico. Cineasta. Escritor.

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