Sobre o Marreco’s Fest 2011

Por Nina Puglia

Publicado em: www.solmixolidio.blogspot.com

 

 

O que venho expor agora é a minha experiência no Marreco’s Fest deste ano. Mas antes de falar especificamente sobre ele, cabe fazer uma breve introdução sobre o festival.

O Marreco’s surgiu de uma simples comemoração do aniversário do Marreco, vulgo Fábio Cota. Ele um dia convidou alguns amigos pra um churrasco onde ia ter som montado para que os amigos tocassem e abriu a festa para quem quisesse levar mais amigos, desde que estes levassem uma caixa de cerveja. No ano seguinte, ele repetiu a dose. E no outro ano também. E a coisa foi crescendo e o Marreco, que não sei até que ponto planejou isso ou não, mas que de bobo não tem nada, percebeu aí uma grande oportunidade de fazer algo que até então não existia em Brasília: um bom festival de Metal.

O primeiro Marreco’s que eu fui foi o de 2006, se não me falha a memória. Foi em uma casa no Park Way, com o som montado na área da churrasqueira e tinha tinas com gelo para que você pudesse colocar a sua caixa de cerveja e beber à vontade. Hoje, exatos 5 anos depois, o festival contou com uma arena bem estruturada, dois palcos grandes e de mesmo porte com equipamentos de primeira linha e 3 bandas gringas no line-up.

Aí é que cabe a pergunta: será que o público de Brasília não consegue ou não QUER perceber a nítida diferença que existe entre ir pra um churrasco com bandas e ir para um festival? Sim, porque só isso justifica a enxurrada de reclamações que eu escutei este ano sobre o preço do ingresso. Eu não consigo pensar em nenhum outro festival (tirando os que são de graça, coisa que vou comentar já, já) que tenha exatamente as mesmas características e tenha um ingresso que custa R$50 no primeiro lote ou R$80 pra comprar o kit promocional que vem com ingresso + camiseta + adesivo + caneca. Qualquer um que você vá o ingresso mais barato é no mínimo o dobro do valor.

O que os metaleiros de Brasília precisam parar pra pensar é que podem estar correndo o risco de perder o ÚNICO festival de metal da cidade e um dos maiores do Brasil por conta de uma economia que eu sinceramente chamo de burra. Me desculpem, mas não dá pra aceitar o argumento “Eu já paguei R$25 pra entrar no Marreco’s”. Claro que você já pagou. Eu também. Mas nestes R$25 não estavam incluídos shows de 15 bandas, sendo 3 estrangeiras tocando em dois palcos (você sabe quanto custa alugar estrutura, mão-de-obra e equipamentos?) de primeira categoria. Vamos parar pra pensar, gente! Existe uma coisa chamada custo-benefício! Quando vem alguma banda que você curte (e não estou dizendo que você não deve fazer isso) pra tocar em São Paulo, você não pensa duas vezes antes de comprar seu ingresso e sua passagem. Quem é público cativo do Marreco’s sabe que o festival prima pela qualidade. Eu, que desde o ano passado tive a oportunidade de trabalhar na produção, venho vendo de perto o quão criterioso o Marreco é com a qualidade do som que ele está colocando. Por que então você não pode pagar R$80 pra ir a um festival com 15 bandas na sua cidade? Por que não sentir orgulho de ter isso tudo a alguns quilômetros da sua casa? E o argumento de que não é acessível para os mais fudidos de grana, me desculpem de novo, mas também não aceito. Qualquer pessoa tem um ano inteiro pra juntar R$10 que seja por mês pra comprar o ingresso e ainda tomar umas cervas lá dentro. Eu mesma vi um garoto passando na arena do Marreco’s e me lembrei da cara dele de quando a Scania foi tocar no Jardim Ingá (você já foi lá?).

Bom, espero que este desabafo sirva de reflexão.

Falando agora especificamente sobre o último sábado, já começo agradecendo imensamente a oportunidade de trabalhar novamente neste ano. Pra mim realmente é uma realização pessoal muito grande poder agora fazer parte do outro lado deste que é um evento que eu já sou entusiasta há alguns anos.

Trabalhar com banda de metal é muito tranquilo. Os músicos geralmente são tranquilos e não causam maiores transtornos. No backstage tudo rola na maior tranquilidade e respeito. Só é triste constatar que ainda existem bandas que vem para cá com o rei na barriga e não dão o menor papo pra ninguém, como foi o caso do Rage. Ô povo antipático, viu! Reclamaram, não conversaram, desconfiavam de tudo o que a gente oferecia… realmente uma atitude lamentável e frustrante, por se tratar de uma banda que eu gosto.

Por outro lado, é lindo ter a dedicação do seu trabalho retribuída por pessoas tão fantásticas quanto os músicos do Bëehler. Uma lenda do metal ali com seus músicos, tratando todos de igual pra igual, super educados, agradecendo a todos por tudo, sem frescuras e ainda fazendo um show memorável. Sério, nunca tinha visto uma galera tão gente boa.

O mais importante de tudo isso é ver que o festival deu certo mesmo com a resistência daqueles que deveriam ser os primeiros a apoiar.

Festival de graça o é por causa lobby, verba de governo e uma certa malandragem por trás. Nada contra, mas eles devem ser entendidos pelo público como algo a se somar à cena cultural da cidade e não como exemplo para menosprezar os festivais que são 100% independentes e que, assim como qualquer pessoa que se sustenta sozinha, tem que pagar as suas contas.

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Sobre Nina Puglia
Produtora da banda Ape X And The Neanderthal Death Squad, cantora, geógrafa pesquisadora da área cultural e integrante do Coletivo Esquina

2 Responses to Sobre o Marreco’s Fest 2011

  1. Bjunior says:

    Basta trata-los da mesma forma que eles nos tratam. Educação, gentileza cabe em qualquer um em qualquer lugar do mundo. Não é somente por ser uma banda gringa que devemos estender o tapete vermelho para eles passarem e quando fazem isso passam por cima de todos e não estão nem ai para ninguem. Uma das grandes falhas do quase perfeito Marrecos Fest foi ter dado muita atenção para umas bandas e nada para outras, nem mesmo agua.
    abs

    • Nina Puglia says:

      É verdade, Bjunior! Neste ponto você tem razão. Discordo que alguém da produção tenha sido grosseiro com alguma banda. Eu tenho certeza que eu não fui e não presenciei nenhuma situação desse tipo, mas realmente a estrutura de camarins estava um pouco inferior e teve mesmo falta de água para as bandas daqui.
      Mas isso aconteceu por dois motivos:
      1. de fato houve um erro de cálculo na quantidade de água e tivemos que nos virar com o que tinha. Tivemos que decidir entre colocar água nos camarins ou para a hora dos shows. Decidimos por este último. Eu mesma pedi desculpas a alguns músicos por conta disso. É chato mesmo não poder oferecer nem água. Foi um erro mesmo.
      2. Como é um festival independente, nem sempre se tem dinheiro pra tudo. Neste caso, muitas vezes a produção acaba decidindo por atender a algumas (e posso garantir que não foram todas) das exigências das bandas “maiores” para não correr o risco de uma quebra de contrato, o que gera um prejuízo muito grande.

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