Planeta Rock

Pra quem não sabe, Brasília está forte na disputa pela vaga no Indie Stage do Planeta Terra. Trata-se da banda Tiro Williams, que concorre com a música O Verão, do seu primeiro álbum. A votação vai até as 21h de amanhã, quinta-feira (27 de outubro), então vamo animar aí e dar aquela força. É muito fácil, são só três cliques:

http://hitbb.planetaterra.com.br/votacao

Ok, dá pra fazer com DOIS cliques apenas:

http://hitbb.planetaterra.com.br/hit/15/tiro-williams-o-verao-734.html

Lembrando que o vencedor não só vai ter a oportunidade de abrir o Planeta Terra (que ocorre dia 05 de novembro em São Paulo), como também vai ter um EP lançado pela gravadora Deck, contrato para distribuição digital na web e mobile da música vencedora, entrevista exclusiva no portal Terra e (sim, MAIS!) apresentação da música ganhadora no Sonora Live.

2 cliques.

E por falar em 2, a segunda boa notícia é que o Nevilton também tá participando, com a música O Morno. Grande banda, o Nevilton acabou se metendo numas de fazer um clipe com a galera do Esquina quando iam dar uma “passadinha” pela cidade.

Este é o teaser: http://www.youtube.com/watch?v=Yby6NRtUq3c

 

Aos nossos amigos que estão participando dessa disputa:

Boa sorte!

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Turrón Presidencial no Oi Novo Som

Ouçam esta:

 

O pessoal da banda Turrón Presidencial tá participando da etapa Centro-Oeste do Mapa Oi Novo Som, que promete à banda mais curtida a gravação de um programa no estúdio Oi Novo Som. Nós do Esquina ficamos MUITO felizes por vocês, que merecem DEMAIS essa oportunidade. Vamo mandar ver nessa parada e vamo que vamo!

 

Quer colocar um tijolinho nessa estrada? Acesse http://www.oinovosom.com.br/mapa/centrooeste e curta o Turrón Presidencial!

 

NÃO CONHECE?

 

Não faz mal, porque AMANHÃ tem show dos caras junto com a galera dos Distintos Filhos no Velvet Pub a partir das 21h, pela ridícula quantia de R$5,00 (ou R$10,00, depois das 23h). Então não tem desculpa: vamo conferir o som dos caras amanhã e curtir no site da Oi Novo Som pra dar a eles o que eles merecem: distinção e reconhecimento!

 

Aos bróders: abraço! TAMO JUNTO!

 

Cores

Já foram alguns rascunhos desde a primeira tentativa, então, pra não me cobrar demais, vou escrever como se fosse só mais um rascunho.

Há alguns meses, eu ouvi o som das Electrodomesticks. Eu já tinha um blog, então, imediatamente, me deu vontade de escrever sobre. Então eu comecei a escrever, e, à medida que as palavras iam se juntando na tela, eu ia apagando. Mais de 30 plays depois no Myspace, e de repente, me batia uma vontade de desistir. Não parecia haver palavras certas, ou então elas nao pareciam gostar de mim naquele momento.

Um adendo: Charles Bukowski disse uma vez que ninguém é ou se torna um escritor; você só PENSA que é um. E, como cada pessoa tem um processo diferente, o que me mantém nos trilhos das palavras é o fato de que eu encontro dificuldade com elas às vezes. Se as palavras fossem fáceis, se a nossa luta não fosse ferrenha, não vejo como eu conseguiria tirar delas aquilo que procuro, que é seu sangue e o meu, suas marcas em meu corpo, seus dentes cravados em minhas costas, enquanto eu, deitado, olho para o alto e digo: “lá chegamos, meu amor”.

E o objetivo não é tanto o de alcançar um ponto final. Esse é o problema do nosso idioma: nossos pontos finais deviam dar lugar a vírgulas, todas as letras deviam ser minúsculas. Devíamos começar nossas frases com dois-pontos.

:enquanto escrevo, ouço mais algumas vezes as músicas delas, que parecem poucas pra quem evita o replay, mas o caso é de continuar, e adicionar, a cada vez, mais 10 ou 15 plays (if you dream too much), porque é viciante, na forma mais abusiva da palavra, e faz querer procurar nos escritores palavras capazes de arranhar a superfície quase material do som, o ar, tão improvável quanto as leis da física, o impossível tornado real, a sensação de estar no caminho certo, de ter pego a curva certa quilômetros atrás,

:mais dois-pontos, let’s do it, abrir espaço em nossos bolsos para essas 4 jóias telepáticas (Ginsberg) que o garimpo fácil da internet nos permite encontrar, e é tão fácil encontrar quanto conhecer, e conhecer significa dar chance ao acaso para enlouquecer de uma forma que, para cada um, é irresistível (Vonnegut),

:sim, eu permito, permito, permito ser invadido e colonizado desse jeito, e permito também o troco, a incerteza de não saber apontar qual jóia eu ofereceria a um estranho, a condição anti-anatômica de não ter dedos para decidir “esta” ou “esta”, porque um dia a resposta foi fácil (Tonight), mas agora deixou de ser, e isso é fantástico, porque já não posso transformar um caminho em uma palavra, nao existe solução fácil, números, notas, classificação final,

:me perdoem, mas quem quiser isso, vai ter que flertar com o desconhecido, e abrir espaço, deixar-se pintar com as cores delas, como eu deixei que me pintassem, e o mais importante, minhas palavras, essas que eu ofereço, meu pouco e meu tudo, minha verdade,

Garotas, obrigado pelas cores. Funcionaram melhor em mim que nas palavras. Algum dia eu vou escrever com som, como vocês fazem, porque pro meu objetivo, this is not working out.

Então vão lá e escutem. É melhor do que ficar lendo isto.

A arte da ferraria do rock n’ roll – resenha do festival Martelada por Pedro Branco

Se algum dia alguém escrever sobre a minha vida, quero que digam, em algum ponto, que tudo o que foi bonito também doeu.

 

Ainda não entendo a forma como damos sentido às coisas, mas para cada conjunto de eventos, gostamos de pensar em ciclos, que se abrem, que se fecham. Ciclos de anos, dias, horas. Assim, buscamos dar sentido aos acontecimentos. Estes dois dias passados se desdobraram diante dos meus olhos, pernas, boca e órgãos vitais, e formaram um ciclo, que começou e acabou. E não tenho certeza se é da natureza humana procurar nas coisas um sentido maior, mas deve ser o que eu estou fazendo.

Eu cheguei naquela casa, que tem abrigado nossos sonhos feitos matéria há algum tempo, depois de ser descolado de um universo de 90 mil pessoas. Meu coração já batia mais rápido, e eu sabia que as próximas horas seriam muito boas. À medida que o tempo foi passando, as pessoas lá chegavam, sem parar, vindas de outros lugares, carregando seus sonhos feitos matéria.

E começou.

Era rock n’ roll de salto alto perto do palco. O primeiro dia explodiu com cada banda que subia. Eles deitavam sobre nós suas vozes, a vibração de suas cordas e pequenas lascas de suas baquetas. E houve o ponto em que eu me vi no topo da montanha, olhando para baixo, como que voando, observando de longe o monumento que edificávamos à medida em que o tempo passava. A galera do Gallo Azhuu foi meu ponto de ebulição, o momento em que, no meio da jornada daquela noite, que já tinha me presenteado com as grandíssimas Johnny Flirt e Vitrine, eu derreti completamente, sendo desmaterializado, me tornando devaneio puro. Com Catorze, deslizei mais para perto do final, naquelas músicas já conhecidas (coisa engraçada essa de conhecer as músicas de alguém sem saber precisar pontos, sem ter uma noção certa de quando aquilo começou). E embora não tenha conseguido o final que esperava com Johnny Suxxx & the Fucking Boys, aquela noite terminou, e, como devia ser, não consegui adormecer facilmente depois do longo caminho até minha casa.

De repente acordo, momentos antes da minha chegada no Cult 22. A chegada ao lugar é a hora em que algo acontece comigo, que borra minha visão. Um acordar kafkaesco. Um profundo estranhamento, um passeio pela fina borda entre realidade e meus conflitos. As pessoas são de plástico, esperando ganhar vida lá dentro, à medida que eu as olho. Os drinks e a cerveja nunca são fortes o suficiente, e parece que eu tenho que esperar ganhar de volta algo que dê valor à realidade. Senão eu estaria aprisionado pra sempre, eu acho.

E a segunda noite estava começando, e, simultaneamente, estava caminhando em direção ao seu final.

E a grande felicidade de se surpreender com uma banda, daquelas que você ouve em casa e diz “boa”, mas quando ganha corpo no palco você se pergunta “o quê?” ou qualquer arranjo igualmente débil de palavras que, colocadas juntas, te fazem parecer um idiota porque você DEFINITIVAMENTE não estava preparado para aquilo. Triturados pelo Coração foi um chute direto na porta, e fizeram valer os minutos que se esvaíam daquele nosso sonho.

Ultravespa não me deixou tão feliz quanto eu esperava, porque gostei instantaneamente do som deles quando ouvi pela primeira vez, mas a porrada não foi tão forte ali, naquele lugar, naquela hora. A Cassino Supernova apresentou seu espetáculo, e foi exatamente naquele momento que eu percebi os rostos dessa nova música, dessa nova onda que me engole de uma vez, passados quase um ano do momento que eu escolhi (?) tomar esse caminho de novas ruas. Rostos no escuro, as luzes pulsando no plano de fundo, dando brilho às gotas de suor que se acumulavam nas suas testas, nucas, e até no meu corpo, ao qual julgo ter dado pouca atenção durante todo aquele tempo.

E os amigos da Lady Lanne, que uma vez me abrigaram em sua casa, em sua cidade, em sua própria fatia de realidade, agora estavam ali, um reencontro, um breve olá, uma marreta pronta a cair sobre nossas cabeças.

E caiu.

Perguntei as horas. Estava perto. Aquilo ia acabar, e já começava a perceber pensamentos do cotidiano contaminando minha cabeça. Mas faltava o último grande show.

Electrodomesticks.

Há uma semana, eu fui num show delas e fui surpreendido por uma enorme quantidade de novas músicas. E ontem, nos últimos minutos do Martelada, elas voltaram. Entre as antigas (que eu não sei cantar, mas sei GRITAR!), ondas de ansiedade quebravam e me levavam de um lado pra outro, entre a tentativa de conhecer e ganhar intimidade com aquelas novas jóias, e a espera, que, agora, parece eterna, pelas novas gravações.

E foi isso aí.

Encerrou-se aquele round dessa luta, dessa guerra, da nossa guerra contra e a favor da nossa época. Estamos em 2011, e o peso de uma data no canto de uma carta é o que nos deixa admitir que o tempo está passando. Somos os gladiadores da nossa época, viajando, pulando de arena em arena, procurando nas feras que nos encaram não só a sobrevivência, mas o espetáculo, um prazer fugaz, como a rápida passagem do sol pelo céu do dia. Mas que vale mais que nada neste mundo.

 

Afinal, estou errado?

Esta noite – resenha da noite fora do eixo com watson, fleeting circus e club silencio.

Pra começar do início.

Eu acredito no acaso.

Pode parecer bobo, e até talvez seja, mas a primeira resenha que eu escrevi foi sobre o Watson.
Sobre aquele disco que eu ganhei de um amigo, que eu escutei uma vez, depois outra, depois outra. E depois ele foi tocando, simplesmente, e eu comecei a cantar junto. Depois, quando eu ia nos shows, eu cantava. E eu me sentia, de alguma maneira, conectado com toda a cena. Eram amigos que tocavam em uma banda.

WATSON, por nina puglia

WATSON, por nina puglia

E depois vieram outras bandas, e outros amigos que tocavam em outras bandas.
Ontem foi minha primeira participação em Noite Fora do Eixo como membro do Esquina. Outros amigos. E não existe quem não saiba a grandeza de se poder realmente conhecer uma pessoa, suas peculiaridades, as pequenas contrações dos seus músculos – num sorriso, num olhar, numa palavra. Afinal, procuramos tanto, e nos dizemos tão perdidos no meio das respostas que nos dão, mas se existir um sentido na vida, ele deve ser encontrado por algumas pessoas enquanto elas procuram qualquer outra coisa.

Procuram por outra cidade pra viver, por exemplo. Eu senti as veias do meu pescoço saltarem enquanto eu gritava as letras, que já nem lembro como aprendi. Pensei nas bifurcações do caminho enquanto olhava o rosto do Filipe, torcido, os olhos fechados com um filme passando lá dentro. Esta cidade vai sentir falta de uma das bandas mais talentosas destes anos, as pessoas vão sentir falta da pessoa. No trânsito, ninguém vai notar um carro a menos, e mesmo os mais observadores não devem perceber uma janela a menos com a luz acesa quando a noite cai no Planalto Central.
No final das contas, são todos moleques, brincando de fazer música, vendo o mundo brincar de girar, até que alguém é jogado pra fora. Me sobra um disco, que toca de vez em quando no meu som, no meu carro.
Que aparece de repente na memória, e um trecho de letra passa a fazer mais sentido. Ontem foi um grande show de despedida, de “até logo”, de “não esquece de voltar”.
Meu début, a casa cheia, as melhores vibes em tanto tempo. Outras pessoas de outra cidade, um EdMadness que me oferece uma cerveja, algumas visitas inesperadas, ruas e ruas de encontros e desencontros, e clichês amorosos, e outras duas bandas incríveis, e mais cerveja, e gritos, sorrisos e lágrimas.

fleeting circus, POR NINA PUGLIA

fleeting circus, POR NINA PUGLIA

O batera do Fleeting Circus moendo aquele setzinho do Velvet (nada é melhor para alguém com coração fraco – como eu – do que sentir aquele tanto de pressão sonora).

club silencio, por nina puglia

club silencio, por nina puglia

O Club Silêncio fritando aquele som sem sentido, sensacional, absurdo até onde valem os detalhes.

Enfim, passou.

Ficou, mas passou.

E eu não penso que as coisas voltam.

Mas elas definitivamente tendem a melhorar se a gente seguir em frente.

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