resenha: Dream Theater, Brasília, 1º de Setembro de 2012.

CHATO!

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Metal Open Air: o sonho que virou pesadelo

Era madrugada de sábado 21/04 para domingo 22/04 quando entrei no facebook e vi os primeiros comentários sobre o Metal Open Air. Eu achei estranho o que li e resolvi pesquisar na internet. As informações que encontrei pareciam inacreditáveis para um festival tão aguardado, mas ao mesmo tempo tão controverso. Hoje, seis dias, muitas reportagens e depoimentos lidos depois, como aprendiz de produtora que sou, me sinto quase que obrigada a expressar minha opinião sobre o ocorrido, com a finalidade apenas de tentar gerar um mínimo de reflexão naqueles que eventualmente se interessarem em ler. O que aconteceu com o M.O.A. foi muito sério e creio que é um ótimo exemplo para ponderarmos sobre produção cultural, postura do público, e outros aspectos ligados ao ocorrido.

Produção é coisa séria.
Mexe com o dinheiro e com os sonhos das pessoas. Parece piegas, mas é verdade. Qual headbanger no mundo não sonharia ver Exodus, Venom, Anthrax e Megadeth tocando em um mesmo festival? Isso atiça os sentimentos das pessoas. E elas pagam caro pra realizar esse desejo.

Daí eu pergunto: com base em que os produtores do M.O.A. acharam que poderiam pegar o dinheiro das pessoas pra fazer um festival e, mesmo sem as condiçõees básicas, levar essa produção pra frente? Será que eles acharam que ninguém ia perceber???
Aí vem à cabeça aquela célebre frase da sabedoria popular que diz que “o que começa errado acaba errado”.

Começou errado porque, na minha opinião, não tem cabimento divulgar o seu evento usando o nome de outro. O M.O.A. começou a ser divulgado como uma edição brasileira – e em São Luís do Maranhão – do Wacken Open Air (W:O:A – maior festival de Metal do mundo, que é realizado anualmente há 20 anos na Alemanha). E isso é tão sério que, dias depois, os representantes do Wacken no Brasil soltam uma nota à imprensa dizendo que a marca estava sendo usada indevidamente por alguém para promover alguma coisa que não era Wacken. E só aí a farsa foi desfeita: o tal “Wacken brasileiro” na verdade se chama Metal Open Air, mas, de fato aconteceria em São Luís e de fato prometia um lineup digno do festival europeu.

Aí vem a segunda pergunta: com o que esses produtores estavam na cabeça que acharam que iam fazer um festival sem pagar o sinal do cachê? E pior: sem emitir as passagens das bandas? Eles achavam o que? Que sem passagem as bandas viriam mesmo assim por amor ao metal? Por mais que as bandas em questão amem e respeitem seu público, não iriam – e nem devem mesmo – pagar pra tocar!

Outra coisa: acordo é acordo. Contrato é contrato. Tem que ser cumprido. Ponto.
Mas certas coisas podem – e devem – ser negociadas. Se o músico pede um amplificador impossível de ser providenciado, negocie. Diga “fulano, o amplificador X não rola. Pode ser o Y?”. Se o cara bater o pé, agradeça, e dispense a banda. O que não dá é entrar nessas de colocar qualquer coisa lá no dia achando que ou o cara não vai perceber ou que não vai reclamar porque “já to aqui mesmo, fazer o que…” e nem, muito menos, entrar nessa de “ah, equipamento é tudo igual”. NÃO É. Simples assim. E se fosse, ou se pra aquele músico tanto faz mesmo, ele não pediria nada específico. É que nem um médico de hospital particular  chegar pra fazer uma cirurgia e não ter o equipamento necessário. O cara vai fazer o que? Abrir a barriga de alguém com faca de cozinha porque “foi o que deu pra arranjar”?

E, pra mim, uma das piores coisas – e de fato uma das mais noticiadas: o “camping”. Acho que nem em filme de terror se monta um camping em um estábulo para cavalos. Isso é INACREDITÁVEL! INADMISSÍVEL! Uma total falta de respeito. Gente, uma coisa que é importante ficar clara e que pelo jeito os produtores do M.O.A. não sabem é que show e festival só existem porque existe o público. Se o público, que é a razão daquilo tudo existir não é respeitado, aquilo tudo não faz o menor sentido! Simples assim. Como você quer fidelizar as pessoas para o seu evento que pretende ser anual se você as trata assim? Não tem pessoa compreensiva no mundo que ature um negócio desses.

E mais: com pau comendo na hora do festival – palco sendo desmontado por falta de pagamento de fornecedor, bandas cancelando participação também por não pagamento, arrastão de bandidos furtando o público, pessoas dormindo em meio a esterco de cavalo – os “produtores” ainda acham que não devem satisfação aos seus clientes. Ou seja: você paga por uma coisa, chega ao local e vê outra e fica sem informação nenhuma do que está contecendo. Isso é lesar o cliente.

Resumindo: uma catástrofe atrás da outra, que poderiam ter sido evitadas se os produtores do festival tivessem feito um mínimo de planejamento e tivessem um mínimo de respeito pelas bandas e pelo público. Público este que queria ir de coração aberto, sem essas babaquices de pensar “o Nordeste não tem estrutura pra um festival desses”. Queria ir por apoiar a iniciativa de fazer um festival desse porte voltato exclusivamente para o metal, onde quer que fosse.
Aliás, meus parabéns para o público, que, mesmo abandonado, não causou maiores problemas e ainda teve paciência de ver e curtir os poucos shows que rolaram. Isso é uma prova cabal de que o público headbager é fiel e que precisa ser mais respeitado e valorizado. Só espero que os que foram exijam seus direitos de consumidor lesado. Se isso não for feito, vamos sempre estar à mercê de gente incopetente e gananciosa.

E este é o ponto que eu queria chegar com o texto. A lição que preicsa ficar sobre o M.O.A. é que, como amante da música, você não deixa de ser um cliente. Quando você compra um ingresso, principalmente pra um evento deste porte, nele vem embutidos uma série de serviços que precisam ser prestados. Por exemplo: se está sendo divulgado que vai ter local de alimentção dentro da área do festival, PRECISA TER; da mesma maneira, se está sendo divulgado que o show X vai começar na hora Y, isso PRECISA ACONTECER. Você pagou por aquilo! Imprevistos acontecem. Quem trabalha com produção sabe: pode chover, um fornecedor pode atrasar pra chegar, o voo da banda pode ser cancelado, enfim, várias coisas que atravancam tudo, mas que vai da habilidade que o produtor tem de resolver problemas e fazer tudo continuar rolando na mais perfeita ordem. Mas se a coisa realmente for prejudicar mesmo o andamento do festival, as pessoas TEM QUE SER AVISADAS. Por outro lado, o público também tem de ser coerente e ter bom senso: uma coisa é má fé e incopetência dos organizadores, que venderam uma coisa que não existe. Outra coisa é chover no dia e atrasar a montagem e/ou danificar estruturas, por exemplo. Tem coisas que fogem mesmo do controle da produção.

Portanto, a reflexão que deve ficar pra quem foi e pra quem não foi ao festival é sempre investigar quem ou que empresa está fazendo a produção. Tem muita gente picareta por aí, mas também tem muita gente bem intencionada e competente, que rala muito pra fazer eventos de qualidade, mas que, muitas vezes, o público não dá o devido valor a elas. E em Brasília temos vários exemplos das duas coisas. Vamos ter mais bom senso. Inclusive (ou talvez principalmente) nos eventos com entrada gratuita. É dinheiro público que está sendo usado lá. Ele tem que ser muito bem aplicado, não acham?

Com bom senso todo mundo ganha: os bons produtores, os fornecedores e equipes contratadas, as bandas e, principalmente, VOCÊ.

Bob Dylan. Afinal, foi bom ou ruim?

Eram 21:35 e eu ainda estava na fila, quase na entrada do Ginásio, quando ouvi os primeiros acordes. Para um show marcado para as 21:30, o atraso era ínfimo. Perdi a primeira música inteira no processo de passar pela entrada e me acomodar na arquibancada.


Já sentada, começo a prestar mais atenção no show. A famosa voz rouca do rock e do folk, agora emitida por um corpo de 70 anos, está obviamente mais rouca e mais grave. A acústica do local, que em nada contribui para um bom resultado sonoro, fez com que os técnicos demorassem umas 5 músicas para ajustá-lo a ponto de ficar confortável. A banda que acompanha Dylan tem duas guitarras, um tecladista, baixista e baterista (aliás, destaque total para a cozinha de extrema competência e musicalidade). Para os fãs inveterados, algo de muito estranho; para os que foram sem saber muito do que se tratava, talvez nem tenha feito muita diferença; mas para os que de alguma forma são músicos e conhecem minimamente a trajetória de Dylan, algo estranho porém interessante.


O fato de ter uma banda “grande”, a priori descaracteriza um pouco o som de Dylan. Aqueles que esperavam ouvir os grandes sucessos ao som de gaita e violão e/ou guitarra, talvez tenham se decepcionado. Bob Dylan tocou todas as músicas com arranjos diferentes dos originais. E mal pegou na gaita ou guitarra, mas nos momentos que o fez, o público respondia positivamente. De fato era isso que queriam ver. Em “like a rolling stone” – obviamente a música mais aguardada e que despertou maior resposta do público -, a indefectível gaita só apareceu no final, mas mesmo assim com melodia modificada.


Por conta dos arranjos e andamentos diferentes, em alguns momentos demorava-se um pouco para entender qual era a música. E a evidente falta de interação com o público – ele não pronunciou uma palavra sequer a noite toda -, para muitos deve ter sido chato.


Mas acho que mesmo diante deste panorama, algo precisa ser pontuado. Por mais que seja um pouco frustrante ir ao show e não ouvir os sucessos tal qual foram gravados, acho legal esse lance de rearranjar o repertório. Porque eu acredito que a música é uma obra em aberto. Ela deve ser dinâmica, acompanhar a ordem do dia mesmo. E isso é que faz um verdadeiro espetáculo: a espontaneidade da performance e as novas nuances criadas em cada apresentação. Imagina que saco que deve ser ficar 40, 50 anos tocando as músicas rigorosamente com os mesmos acordes, a mesma levada e os mesmo solos? Acho que nem os metidos a virtuose do metal progressivo aguentam! Acho essa é a verdadeira virtude e o verdadeiro encanto da música: ela é dinâmica; pode ser transformada e reformada a qualquer momento.


Assim sendo, pra quem esteve disposto a olhar o show de ontem com esse prisma, Bob Dylan realmente deu um verdadeiro espetáculo.

Saiba como foi o Grito Rock 2012, por Antonio Luna

GRITO NA CHUVA

Antônio de Luna Nogueira

Não há dúvida, nada podia tornar o domingo mais brasiliense: aquele silêncio, o tempo
perigosamente nublado, o deserto preguiçoso e, finalmente, DOMINGO. Sim, o próprio: ele se
inclui em sua própria lista e descrição! Afinal, um domingo é também um Domingo, um conceito
(ou vazio de conceitos) de dia e de ânimo. É quando lembramos que as folhas das árvores fazem
barulho quando sacudidas, que pássaros podem ou não voar em grupo, e que o padeiro daquela
nunca abre no domingo… E só por isso nos lembramos dele. Domingo não se confunde nunca.
Segunda-feira que o garanta.

Enfim, não é uma derrota, é um empate. Horas após horas, horas que não passam, horas que se
entulham e se empilham umas sobre as outras, umas sobre as outras… E, de repente, o céu que
desaba e desagua e tudo desanda. Es todo un desmadre, cabrón. “Isso é um aviso” penso entre os
entulhos das horas encharcadas “e talvez uma derrota”. Agora sim, aparece o temido Domingo
de Brasília em todo seu sinistro esplendor, tão fatal quanto a inscrição no portal do Inferno de
Dante: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais!” Olho para um relógio e não percebo o tempo.
Brasília está em coma e a profecia do dominical se vê realizada. A chuva toma tudo sem piedade,
encarcerando os temerosos candangos em suas casas sob o temível jugo de um fantasmagórico
Faustão (ou de miríade de filmes ruins, porque domingo o povo da tevê apela!). “Mas pode ser
o momento para um bom livro”, dirão alguns. Pode sim… Mas hoje não. Hoje o domingo ataca a
alma com todas suas armas e o som da chuva ocupa tudo: abro minha boca para falar e não ouço
minha voz. Apenas chuva, apenas chuva… Não. É preciso falar. Falar mais alto que tudo. Mais alto
que a chuva. É preciso gritar.

Junto aos camaradas Marcos Rangel e Paulo Machado, envoltos nas nuvens de uma canção de
tamburins, chegamos flutuando ao Arena, palco do Grito Rock Brasilia 2012, produzido pelo
Coletivo Esquina. Eu participei com minha banda – e inclusive resenhei um dia do evento – no
ano anterior. Devo dizer que sai muito satisfeito. Contudo, desta vez temi que as adversidades
climáticas – que, em Brasília, convenhamos, contribuem em grande parte no desfecho bom ou
ruim de nossas práticas sociais, eventos e tralha e tal… – pudessem comprometer o festival. Os
candangos conhecem sua própria reputação no que diz respeito a eventos em dias de chuva…

O Arena ainda está bem vazio e o show ainda não começou (alívio, porque cheguei atrasado!)
Mas era algo de se esperar. Vou andando, cumprimento aqui e ali e, finalmente, parto em busca
de cerveja. Logo de cara, me espanto com o preço. A cerva não está das mais acessíveis. Mas
suponho que isso é o preço tabelado dos eventos do Arena. Achei antiético. No entanto, minha
falta de caráter falou mais alto do que chuva e preço e acabei comprando uma da mesma maneira.

E assim foi que ouvi, sentado e dando goles medicinais de bira enquanto conversava sobre arte e
coisas da vida, o anúncio da primeira banda.

Arrumei um canto ao lado de um daqueles jogadores de totó vermelhos gigantes que servem de
coluna e apoio cervejeiro (vem cá, fã de futebol inventa cada uma, hein?) e abri os ouvidos …

Johnny Flirt

Ah, enfim! Ouço música, ao invés de chuva! E melhor, rock! Rock do bom. Johnny Flirt tem um
evidente apreço pela pegada britânica do velho agito e balanço (uma livre tradução de rock…) – e
algo de uma banda japonesa chamada The Pillows também.

Vertiginoso e intenso, com ataques precisos, alto, distorcido e barulhento. Por outro lado, é um
som claro – com direito até a fraseados pop algo britânicos e melosos de vez em quando! – onde
cada elemento aparece no lugar certo: é possível perceber a contribuição de cada músico nos
riffs interligados e em diálogo, nos fraseados criativos e melodias atraentes, nas transições bem
articuladas entre partes e músicas, nas linhas de baixo e frases de bateria incisivos… Enfim, na tela
sonora como um todo. Tudo se suporta mutuamente e sem esforço aparente. E, ainda assim, o
som sai cheio de pressão e de urgência roqueira de primeira.

O resultado final é uma química sonora coesa, bem ensaiada e executada. E esta coesão vai além
da música: a união entre os músicos é vísivel. Um excelente indicador de foco é a reação de uma
banda diante de adversidades: se peidar no erro, caga no show. No caso do show do Johnny
Flirt uma guitarra parou de funcionar e uma corda de baixo partiu. O show continuou com toda
naturalidade, energia e showmanship. Isso é uma banda tranqüila. E isso torna o show melhor.

Distintos Filhos

Ainda indignado com o preço da cerveja, resolvi comprar uma outra para esquecer. Fui ver
qual seria a próxima banda. E quando soube, estranhei. Conheço o som dos Distintos Filhos
e, francamente, acho que não combina muito com a sonoridade geral da noite, onde há uma
evidente prevalência de rock e, particularmente, de um rock com orientações mais garage,
rockabilly, brit etc.

Mas enfim! O grupo é bom. Extremamente bem ensaiado e competente na execução de suas
canções, trabalhando bem dinâmicas e usando de maneira consagrada uma grande variedade
de recursos sonoros. No todo, a sonoridade traz consigo um bocado daquele repertório sônico
do rock e pop rock brasileiro dos finais dos anos oitenta e anos noventa, além de bandas mais
recentes, como o próprio Lafusa (aliás, em momentos, os Distintos Filhos trazem elementos muito
semelhantes em suas canções, sobretudo no quesito timbragem).

É um som acessível a muita gente, com o qual muitos podem se identificar. Eu, particularmente,
não sou um grande entusiasta, mas reconheço no trabalho deles grande competência e seriedade.
O som é impecavelmente executado do começo ao fim de maneira muito profissional (aliás,
parabéns ao coletivo pela sonorização que, em muito, ajuda os músicos a darem o melhor de si).

Triturados pelo Coração

Agora esta é uma banda que há tempo queria resenhar. Os caras agitam com um power trio
de 50’s rock com surf, tudo muito bem executado e estudado. Dá para ver a admiração e a
homenagem que a banda presta, com originalidade, aos velhos mestres do então infante rock.
A começar pelo nome – onde nota-se de imediato uma bem humorada referência a nomes
icônicos do rock, como The Heartbreakers ou até o fictício conjunto do Sargento Pimenta… – até
o trabalho musical e de palco.

É possível ver neles referências à nossa jovem guarda e aos primeiros anos do rock americano,
como o som dos Coasters e e do Gene Vincent. Bem aquela época em que o rock bebia o goró de
três acordes do blues, jogava em cima um bourbon com fraseados country e dava liga em tudo
com cerveja e guitarras. Um época mais inocente… Mas já tão inconseqüente.

Frases consagradas, timbres clássícos, solos e fraseados rockabilly com um sabor autêntico. E
nisso tudo, uma vontade de agitar da mesma maneira que os solos, riffs marcantes e olhos tortos
do “Bill Haley and his Comets” agitavam o povo naqueles primeiros anos de rock.

Água de Cachorro

A banda de Minas Gerais tem um som declaradamente acústico, com uma sonoridade bluegrass
ou de hillbilly rock. Uma pegada que pode ser comparada a um Johnny Cash unplugged – mas sem
aquela guitarra venenosa – com influências brasileiras, ou mais especificamente, mineiras. Uma
canção em particular me lembrou o trabalho dos Beat Farmers na canção “Gettin’Drunk.”

O trabalho do violão de aço é atraente, emulando algumas vezes o som de um bandolim. O
acompanhamento do baixo acústico deixa o trabalho mais interessante e original. Já, as letras tem
temáticas nacionais e, junto aos outros elementos citados, acabam gerando uma paisagem sonora
autêntica.

Uma coisa no entanto, tomou minha atenção: o ritmo. As canções tem uma estrutura rítmica
muito semelhante entre elas. E quando pensei nisso, surgiu um pardigma de dois gumes: por um
lado, a banda fez uma escolha de gênero original. Ou melhor, suas influências musicais os levaram
a produzir um som que é relativamente original no Brasil, pois apesar de termos muitas bandas
com influências country rock e blues, poucas exploram o nicho do bluegrass e do hillbilly.

Por outro lado, é também aí, justamente, reside meu incômodo: esse é um nicho estreito
com uma paleta sonora muito específica. E pela semelhança entre as músicas, visível no ritmo
repetitivo, isso parece denotar uma certa “zona de conforto” criativo para a banda. É algo a se
considerar.

Cassino Supernova

Um feedback anuncia com clareza a mensagem logo no começo: rock. Parece repetitivo, afinal
este é o Grito ROCK, pelo amor de deus! Mas mesmo assim, eu conheço os caras, eles tocam bem
e o bagulho é true – resumindo logo a história toda num conceito bruto e monolítico. O show
irrompe e é possível ver que, cada vez mais, eles se tornam notórios saberes – já que não conheço
doutores em rock… – de seu gênero: rock à rolling stones, com algo de um rockabilly, um finória
de raulzito aqui e ali, tudo misturado com aqueles ingredientes basais do rock, como o bom humor
na letra e na melodia – uma melodia é uma frase, né não?

Timbres bem escolhidos, bem estudados, fraseados de bom gosto. Um som que dialóga com a
platéia tanto em energia quanto musicalidade. Entre aprimeira vez que os resenhei e esta atual
resenha, percebo uma audível e visível diferença, uma maior maturidade sônica que, ainda
assim, não perde sua personalidade diante de algum pretenso aprimoramento sonoro, de uma
suposta “seriedade musical” (aliás, já mencionei algo semelhante sobre eles numa resenha
anterior). Aqui não, tanto em visual – o excêntrico cabelo a la cuia continua firme e forte! – quanto
em sonoridade é possível perceber uma banda concentrada, focada, tocando um rock enérgico,
bem executado e, mais que nada, à sua maneira.

Um rock à Supernova: explosivo.

Lamentavelmente, tive de ir embora do show antes da hora e não pude o show da ETNO… Fico
com essa dívida sonora! No entanto, no fim das contas, ainda que meio vazio por conta da aguda
aversão – olha a ironia! – que a chuva provoca ao povo candango, o festival contou com bandas
muito boas, concentradas, enérgicas, oferecendo excelentes espetáculos e empenhadas em fazer
aquele rock gritar sempre mais alto.

Novo EP do Brown-Há

 

No último dia 25, o Brown-Há lançou mais um EP.

Nada do rock dançante ou viajante se perdeu, mas a banda mostra claramente que está em uma fase mais madura e com a atual formação musicalmente entrosada.

São 6 novas canções, já disponíveis virtualmente na página da banda no portal Toque no Brasil. é só entrar lá e curtir: brownha.tnb.art.br

Já o lançamento ao vivo vai rolar lá no festival Cult22 – 20 anos no dia 02 de dezembro. Imperdível!

Brasília, capital do Rock

Pra quem nasceu da década de 1990 pra cá, sempre ouve aquela expressão “Brasília, a capital do Rock” e não entende muito bem o significado disso. Quem hoje está chegando na casa dos 20 anos, cresceu em uma cidade cuja cena roqueira foi decaindo gradativamente até virar um movimento praticamente engolido pelo crescimento avassalador do sertanejo universitário, funk, etc.

Percebendo a perda de espaço e, principalmente, reconhecendo a importância que o rock tem para o Distrito Federal, um grupo de bandas, entre elas Trampa, Móveis Coloniais de Acaju, Brown-Há, Live Wire, Etno, Ape X and the Neanderthal Death Squad, The Neves, juntamente com alguns produtores, jornalistas, autores de fanzines e outros agentes culturais do DF, iniciaram um movimento em prol do resgate do rock como patrimônio cultural da cidade, da (re)valorização do estilo musical e de outras ações que visam a profissionalização de agentes da cadeia produtiva do rock e a formação de público.

Esta iniciativa resultou no movimento “Brasília, capital do Rock”, que está penetrando, inclusive, na esfera governamental. E que você, consumidor/apreciador de rock, pode apoiar e contribuir para dar mais visibilidade e força a este movimento. É só assinar o manifesto, clicando nesse link: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/9185

O Esquina – Música e Cultura é parceiro desta iniciativa.

É mais bandas, mais shows, mais público e mais apoio para o rock de Brasília para o Brasil!!!!

O Décimo-Primeiro Diário – Começam as Rotas Musicais de Acajú

Senhoras e senhores… vai começar!
Móveis Coloniais de Acajú estrelam as Rotas Musicas, uma turnê que vai além dos palcos, mas sem fugir da música…
Hã?
Sim, é isso…. além da série de show em 12 cidades, a Mobília também fará palestras e debates sobre mercado musical, gestão e sustentabilidade de uma banda-empresa.

Mas eu não criei esse diário para falar sobre eles, ou ao menos não apenas sobre eles…. ou seria sobre nós… ou seria sobre mim….. a questão é que eu farei parte desta turnê, e como explanado pelos próprios… eu serei o Décimo-Primeiro.

É uma grande honra fazer parte deste projeto… não estarei nos shows como fã… mas como parte da banda… não estarei nos palcos como músico… mas como cineasta…

Os filmes QUASE FAMOSOS  e ROCKSTAR podem exemplificar um pouco do que eu sinto…

Vou viajar com uma banda que sou fã. Vou viajar como parte da banda.

A ansiodade flui quase como natural…. e é curioso dizer que anos atrás, 7 ou 8, quando as músicas da mobília ganharam de vez a minha playlist eu pude me imaginar como parte daquilo…. da mesma forma que nos imaginamos tocando guitarra com o Black Sabbath ou cantando com os Red Hots…
Que venha Manaus! Que venha Porto Alegre, Recife, São Paulo…
Que venham doze, quinze, trinta shows….

http://www.rotasmusicais.com.br

Cult22 é homenageado na Câmara

Ontem, exatamente no dia que o Cult22 completou 20 anos no ar, o programa recebeu uma homenagem em sessão solene na Câmara Legislativa.

Além disso, o fundador e até hoje apresentador Marcos Pinheiro recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília, que é oferecido a pessoas que de alguma forma deixam um legado ou contribuem imensuravelmente para a cidade.

Esta homenagem não poderia ser mais justa. É notável a importância do programa Cult22, bem como do Marcos Pinheiro, para a construção do patrimônio cultural do DF, que é indiscutivelmente materializada no rock, tal como expressaram em suas palavras Gustavo GRV, Phillipe Seabra, Penny Lane, Abelardo Mendes Jr. e Fernanda Maia (Lucy & the Popsonics). E eu, Nina Puglia, com muita honra, estava lá presente neste momento tão especial para Brasília.

Nós do Esquina, além de parabenizarmos o Marcos e o programa pelo reconhecimento, temos muito orgulho pela parceria firmada com o Cult22. Esperamos sempre poder contribuir para tornar a cena roqueira de Brasília cada vez mais forte e respeitada, calcada sempre na qualidade, mas principalmente na transparência e honestidade na produção cultural.

Parabéns, Cult22!!!

audiovisual, videoclipes, curtas e etc….

prezados….
minhas aventuras audiovisuais começaram em 2000…
porém meu primeiro trabalho pensado profissionalmente foi realizado em 2007
um devaneio que se tornou argumento que se tornou “storyboard” que foi gravado com uma fotografia excepcional feita  numa sony fotográfica de turista…. que foi editado no mesmo dia de maneira magistral… e que foi desconsiderado para o festival no qual fora inscrito…
obrigado Ivan, Pedro e Marília…
ah sim…
para esse curta eu consegui ainda a autorização de uso de trilha sonora de uma banda do estado norte-americano do Texas semi-conhecida que já havia terminado suas atividades e de uma então promessa do rock nacional…. Galactic Cowboys e Móveis Coloniais de Acaju…

depois disso eu fiz um curta com equipamentos melhores e explodi um carro.
e depois vieram trabalhos mais gloriosos….
do tipo que fizeram o nome de amigos queridos e o meu serem projetados no Festival de Brasília e outros mundo afora…

já se vão mais de  10 anos, muito mais, querendo ser alguém que trabalha com audiovisual…. mais tempo do que sou o quero ser músico… ou geógrafo…
algumas coisas mudaram de 2007 pra cá….
muito mais câmeras de alta definição…
muito mais gente interessada….
amigos cada vez mais capacitados…
mas eu não sei bem o que eu faço no audiovisual… já escrevi, dirigi, fotografei, cozinhei, desisti, editei, fui da pré-produção, da pós-produção…
e PRODUÇÃO…

se você leu até aqui  bem… não quero falar muito mais….
eu quero realizar o Seu curta-metragem junto a minha equipe….
eu quero fazer o videoclipe da Sua Banda…

Através do Esquina e da Sinecura produções eu quero fazer isso….
e você?!
Mas lembre-se… da mesma foram que qualquer pessoa gosta de receber pelo seu trabalho nós também gostamos… e queremos!

viver de música, viver de cultura, viver de cinema… e viver sua vida pessoal

viver de música, viver de cultura, viver de cinema… estudar, trabalhar, ganhar dinheiro, almoçar com sua família, abrir portas, sentar num bar com os amigos…
e viver sua vida pessoal…
tem horas que tudo isso junto… ou separado parece impossível…
tem vezes também que conseguimos nos sentir plenos nessas realizações…
e tem vezes que perdemos um ente querido…
por vezes também nós vamos tocar os melhores riffs… e chegar atrasado no aniversário da própria mãe…
não vou enfatizar que viver de música é algo complicado, difícil…
viver de qualquer forma pode o ser.

Recentemente eu perdi o meu pai.
ele era roqueiro.
foi meu herói, anti-herói e vilão.
ele nunca viu um filme meu.
e da única vez que ouviu um riff tocado por mim foi numa gravação chula, de uma banda ruim, na qual eu não era feliz tocando.
esse tipo de fato me faz pensar e repensar o meu tempo.
adoro o que faço.
modestamente me sinto responsável, capaz de liderar quando é necessário… eu sei que trabalho  bem e em sintonia com minha equipe.
mas estou em sintonia com minha familia, com meus amigos….
Nesses 10 meses com o esquina eu ouvi incessantes horas de música, boas e ruins, gravei muito mais horas de video, escrevi um pouco, fiz novos amigos e parceiros… comecei a processar a idéia de empreendimento em minhas atividades.

e agora eu só quero mais….
quero que venham outros Rolla Pedra, Noites Esquina, Marteladas, Marrecos, Moveis Convida…
mas quero ainda mais ir ao cinema com minha mãe ou com a namorada, curtir mais…. almoçar com meus avós no domingo…
é possível fazer rock e família ao mesmo tempo?
sei lá… talvez… parece que sim as vezes
Estou determinado a escrever filmes e estória. Compor novas canções.
Realizar novos shows.
Espero ver vocês lá.
Mas saibam que quando eu não estiver lá… estarei curtindo as partes mais importantes da minha vida: minha família, minhas sobrinhas, minha mãe, minha casa, meu videogame.

E faço disso um convite… aproveitem os shows, os filmes… façam shows, filmes, livros… mas lembrem que é bom almoçar com a mãe no sábado… que ver a sobrinha caindo na gargalhada é muito mais extasiante!

Brigado mãe, pai, amigos, esquina.

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