AGENDA: Bar da Toinha

Neste domingo tem destruição total no Bar da Toinha (Samambaia)!

É que os amigos do Valdez, Darshan e Evening (GO) tocam JUNTOS em uma tarde de muito ódio e rancor.

Só R$5.

 

 

Anúncios

Goiânia? É NOISE!!!

Amanhã, dia 2 de dezembro, terá início mais uma, a 17ª pre ser precisa, edição de um dos mais importantes festivais do país: o Goiânia Noise.

Serão, ao todo, 33 atrações. Além de diversas bandas goianienses, tocarão no festival nomes como Gerson King ComboRaimundos, Claustrofobia, Os Haxixins e The BellRays (EUA). Representando o quadradinho, tocam as bandas Darshan, The Pro e The Neves. Serão 2 dias de uma mistura de ritmos, porém com um motivo muito nobre: celebrar o rock, é claro.

Para mais informações, entre no site do festival: www.goianianoisefestival.com.br

E se o que você precisa é de um convite especial pra ir ao festival, aí vai:

AGENDA: Chapamamba (RJ) + Darshan + Os Triturados Pelo Coração

E pra fechar a semana com chave de outro, outra banda de fora se aventurando na seca brasiliense: Chapamamba, diretamente da Cidade Maravilhosa, dividindo palco com o peso do Darshan e o charme dos Triturados Pelo Coração, numa mistura de ritmos e influências que acontecerá em dois shows:

Sábado, dia 10, no Balaio Café, as 22h, R$10.

Domingo, dia 11, na Cervejaria Caixa d’Água (Bar do Careca) na praça da CNF em Taguatinga Norte, mais cedo, as 18h, também R$10.

Realização: Megalodon Produções.

o segundo dia de grito. Dos Filhos de um Sonho a Born to Destroy

11 de março

por Pedro Branco – Branco sobre Branco

 

Onze de março de dois mil e onze. Vinte e duas horas. Meu avião tocou o solo exatamente dezenove e quarenta, e agora eu estou aqui, depois de uma temporada de Rio de Janeiro, oficialmente resenhando o Grito Rock Brasília.

Nada mal pra quem não escreve nada há vinte e dois dias. Nem um bilhete de porta de geladeira.

Aqueles que escrevem profissionalmente talvez não sintam o que eu sinto toda vez que escrevo: quanto mais há pra se falar, mais faltam palavras. Eu não escrevo profissionalmente. Eu escrevo por paixão, e não podia ser diferente pra mim. Por isso, agradeço a oportunidade de apaixonar-me por esta noite.

O show do Etno abriu as portas do segundo dia. As fontes comentam: o público dobrou de ontem pra hoje e isso é impressionante, de acordo com o horário. Realmente estava cheio. E não só cheio: o público respondeu com muita energia aos coros, cantando as músicas novas, que só vão estar no ar daqui a mais vinte dias.

Eu senti o Etno um pouquinho acanhado com o tamanho do palco. Parecia pouco pra pilha que eles trouxeram, a pilha de quem pula e preenche completamente dezenas de metros quadrados de palcos maiores, como o do Rolla Pedra 2010. Mas não que estivessem perdidos. Estavam em casa. Na sala. Num lounge, numa fogueira, entre amigos.

Quem chegou aqui esperando um festival de pequeno porte se surpreendeu (como eu) com a limpeza e definição do som que saía dos falantes. Os detalhes também impressionaram: não contentes com uma puta dinamica de instrumentos, pequenos detalhes enriqueceram a performance ao vivo, com coloridos específicos que só se encontram em discos e grandes shows.

Durante seus quarenta minutos de música, o Etno revelou influências (para o novo disco?), com uma versão de Jeremy, do Pearl Jam, e um pout-pourri cravado na saideira, que foi de Cássia Eller a Red Hot, com coro autoral e… Porra, foi foda!

Logo depois veio o Butlerfly. Fiquei triste com uma parada: o público não ficou pra conferir o que os caras tinham a oferecer. Eu digo da minha experiência pessoal, e talvez eu esteja sendo idiota agora, mas só existem três lugares onde eu estaria agora: no Rio, na frente do palco e montado na minha moto. E eu fiz os três hoje. Então me dêem motivos pra entender como essa galera chega pra ver uma banda e cai fora na segunda, ainda mais quando se trata de uma convidada, que desceu meio Brasil do Ceará até o planalto central de Brasília, este nosso velho oeste da música, apenas pra espalhar a radiação desse rock.

Mas apesar disso, foi um show muito foda. E não conhecia, mas os caras me deram uma grande razão pra procurar o som deles na internet: a pegada. O show deles foi bem simples, som puro e concentrado, um rock nervoso, como os Hives, e a postura daquela galera que, no palco, parece estar na garagem, o grande estúdio universal, onde o rock nasce, cresce, se reproduz e nunca morre.

Quem ficou pra ver teve a oportunidade de se reencontrar com o Sr. Dylan em uma curta, porém poderosa passagem de Blowin’ in the Wind.

Às 23h30, atingimos a lotação máxima da casa.

Esquece, vou tentar menos jornalístico.

Antes do que qualquer um de nós esperávamos, não cabia mais gente. A casa estava lotada, a calçada estava lotada, o ar estava lotado, e meus tímpanos ainda vão ter que agüentar mais dois dias.

Eu acho irado.

Acho irado que o show do Brown-Há tenha feito sair gente pelas janelas que nem existem aqui no Cult 22, porque mais uma vez, eles destruíram. E eles são assim mesmo, pra melhor ou pra pior, eles não aprenderam a decepcionar. Um show bonito de se ver, com cinco caras pirando no que estão fazendo, um som redondinho e cerveja pra molhar o verbo.

Qual verbo, alguém pergunta?

GRITAR!

Gritar pra abrir os pulmões, pra chamar, pra assustar, pra ferver o sangue, pra gente não esquecer que quem está vivo está em algum lugar, perto ou longe, e quem grita se faz escutar, se faz lembrar, faz viver tudo aquilo que vive na palavra, no ar que vibra, nos olhos que se fecham e cantam junto. Eu, você e todos nós, juntos, construindo a gritos o nosso palácio.

Ou nossas estradas.

Os caras do The Dust Road seguiram o caminho feito de terra, asfalto e suor que separa o Amazonas da capital federal pra derrubar sobre nossas cabeças seu blues-rock setentista, um som tão arrebatador quanto misterioso, um som feito de fumaça, drinks e sangue nos olhos. E eles não perdem no palco, como bons blueszeiros, com toda aquela postura forte, de quem não tá nem aí, porque a música basta, e basta aquela confiança nos instrumentos e voz e pausas, com sarcasmo, humor e brutalidade. Uma bigorna na cabeça.

Eu só fico pensando nas pessoas que eu queria que estivessem aqui e não estão. São todos loucos, tão loucos quanto apaixonados. E é assim que o blues entra na gente: pelo ar, pelo sangue, pelo contato da pele com a pele, mesmo apesar deste palco fantástico que nos separa e nos une.

Só mais um detalhe: TECLAS! Me dê teclas, mais teclas, e este blues fode comigo. Mas quanto mais teclas, mais tudo, e o som não pode ficar mais alto do que já tá, senão eu juro que já era minha raça, minha reputação (?) e minhas roupas.

Meio tarde pra jurar.

Se nada do que eu falei se foi, eu garanto que se foi a minha voz com o Darshan. Tenho certeza que eu saí meio biruta. E não é por menos. Quando os caras sobem no palco, é como se um raio atingisse a sua cabeça em cheio e ao contrário. O som viaja na velocidade da luz e a claridade só chega depois do desmaio. E desta vez não teve descanso, foi um set só com as mais pesadas. O público pedia as mais novas, pedia Substâncias, pedia pra continuar, mas, como as nossas diversões de criança, cada minuto conduz diretamente para um fim, que ninguém esperava chegar de verdade.

Alisson, este não é o fim.

Seu “último“ show com esta banda foda é só um novo começo. Afinal de contas, eu acho que posso te entender. Só de ouvir, meu corpo deu sinais desesperados de ainda estar vivo: meu coração quis se abrir ao máximo, engolir todo o sangue das minhas veias, o ar faltou ou sobrou na cabeça, eu não sei; tudo o que sei é que, se te falta ar, se teu coração não tá conseguindo lidar com a velocidade do sangue que tem que circular, saiba que somos dois, e isso provavelmente pode se transformar em uma epidemia.

Só que você vai fazer mais falta que eu. Por isso, quando você atravessar esta rua, não se despeça, porque a calçada do outro lado te leva pro mesmo caminho.

E como diria Renton em Trainspotting, existe a última e existem as últimas. Terminar esta noite com Gandharva foi foda. Os caras mandam um som simples, mas muito trabalhado. E forte. Depois de caminhar por vários ramos do rock, um finale com o trio pernambucano resume o espírito do rock como em um hino:

Vocês vão dormir com a cabeça doendo!

 

DARSHAN

Além de Trampa e xLost In Hatex, a banda Darshan também é uma das atrações confirmadas no Grito Rock 2011.

A banda de Sobradinho faz parte do grupo de bandas que estarão representando os Coletivos do DF no Girto.

Darshan, nome tirado de um livro de Gandhi, em indiano, significa poder de visão. A banda, formada em 2005 em Sobradinho – cidade satélite de Brasília. O grupo começou como quase toda banda independente, reunindo-se para ensaiar no quarto dos fundos na casa do baterista, tocando músicas próprias com equipamentos precários. Oliver (Vocal/Guitarrista), que já tinha composições feitas de outras “tentativas de banda” de tempos atrás, sempre as tocou em público para amigos ou em bares da cidade. Nessa época já conhecia João Paulo (Baixista) e juntos iniciam as atividades que deram origem ao Darshan.
À medida que o trabalho da banda ia sendo reconhecido, crescia o público que acompanhava a banda nos pequenos shows. Aliás, a intimidade do público com o grupo sempre foi marcante – pelo fato de na época a cidade estar fora da rota de shows e não ter muitas bandas locais na ativa, o desejo de lançar uma banda de Sobradinho-DF tornou-se coletivo, além também da forte identidade com as letras cheias de antítese e metáforas sobre a vida e sentimentos.

No inicio de 2007, Alisson (Baterista) assume a bateria e a banda passa por alguns ajustes. O Darshan começa a firmar sua identidade sonora e postura, que antes era inspirada, como tantas outras bandas, pela total sonoridade Grunge. As composições ganham mais melodia, o som se torna mais coeso. O entrosamento passa a ser sua marca, assim como suas letras, que se mostram mais profundas e intimistas. Ao longo dos ensaios e apresentações, o grupo percebeu que ainda faltava uma peça para completar a identidade sonora da banda. Após tentativas de adicionar mais um guitarrista ao grupo, em maio de 2008, o mineiro de Paracatu, Thuyan (Guitarrista/Vocal) entra para o time e assume a guitarra com seu estilo e voz marcante. Com isso, as composições e arranjos são ampliados com novas possibilidades, solos mais trabalhados, novas influências e maior versatilidade assim como ocorre em composições de músicas brasileiras.
A banda começa a ensaiar mais vezes por semana e a tocar em alguns Pubs de Brasília e em grandes festivais como o Porão do Rock, o Finca – Festival de música da Universidade de Brasília e o Duelo de Bandas (3ºcolocado).

 

Darshan é atração do Grito Rock 2011

Em março de 2009 a banda começa a gravar seu primeiro Cd Independente, com 8 faixas autorais. Em duas semanas as gravações estavam concluídas em um studio em Sobradinho-DF. Em 2010, a banda volta ao estúdio para concluir o cd com mais 4 faixas. Após a gravação, continuam a divulgação do seu trabalho independente, com grande aceitação do público e com ótimos comentários por parte da mídia.

O Darshan vem dividindo palco em vários eventos com artistas nacionais e internacionais como: Raimundos (DF), Trampa (DF), GOG (DF), Galinha Preta (DF), Death Slam (DF), Mechanics (GO), Mombojó (PE), Pato Fu (MG), Andre Matos (SP), Gangrena Gasosa (RJ), Autoramas (RJ), Nasi (ex-vocalista do Ira!), internacionais: The SuperSuckers (EUA), She Wants Revenge (EUA), The Right Ons (ESP) e Los Primitivos (ARG).

A banda tocará no 2º dia do Grito, 11/03.

Links:

www.myspace.com/bandadarshan

www.twitter.com/darshan_banda

www.tramavirtual.uol.com.br/artistas/darshan

QUERO TOCAR NO GRITO ROCK BRASÍLIA!

se é isso que você sente…
se você quer tocar no GRITO ROCK BRASÍLIA
basta inscrever sua banda no portal TOQUE NO BRASIL
www.ToqueNoBrasil.com.br

O grito rock brasília acontece de 24 a 27 de Fevereiro! com um total de 27 bandas! 13 de Brasília e outras 14 de fora!

inscreva sua banda no portal TOQUE NO BRASILhttp://www.toquenobrasil.com.br

SEJA TAMBÉM UM VOLUNTÁRIO NO GRITO!!!!

OU FAÇA A COBERTURA DO GRITO!!!!!

PARA INFORMAÇÕES SOBRE AS OUTRAS 130 CIDADDES QUE RECEBEM O GRITO ROCK ENTRE EM http://www.GRITOROCK.com.br

Podcast Esquina & Os melhores de 2010 – Parte 2 – Pop, Grunge, Indie…

PODCAST COLETIVO ESQUINA
COM OS MELHORES DE 2010
com Nina Puglia, Octávio Schwenck e Fernando Jatobá

Opa e aí? Como estão vocês?
fico feliz de ver que muita gente gostou da primeira parte com metal do satanás, hard rock eletrônico e os northern beats…
ENTÃO dando continuidade ao trabalho
apresento-lhes a 2ª parte do Podcast Esquina & Os melhores de 2010 – Pop, Grunge, Indie

nesse bloco o papo se voltou para um som mais pop e de garagem

temos Vinil Laranja, Watson, Móveis Coloniais de Acaju, Vitrine…
eis o setlist
01 – VINIL LARANJA – My Babe is my Gun

http://www.myspace.com/vinillaranja

02 – WATSON –  Emitivi Apresenta
http://www.bandawatson.com.br/

WATSON
WATSON

03 – LAFUSA – Todas as Metades
http://lafusa.net/

04 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU – O Tempo
http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br

05- MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU –  Enter Sandman (Adoro Couve – Metallica)

06 -MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU –  Everybody (Adoro Couve – Backstreet Boys)

07 – TEREZA –  Noite de Herói
http://www.myspace.com/bandatereza

08 – NEVILTON – Pressuposto
http://www.nevilton.com.br/

 

09 – NEVILTON – O Morno
http://www.nevilton.com.br/

10 – DARSHAN – Bem Distante
http://www.myspace.com/bandadarshan

11 – VITRINE – Esther
http://www.myspace.com/vitrine

 

VITRINE

VITRINE

12 – VITRINE –  Zero Hora
http://www.myspace.com/vitrine

Festival Rolla Pedra, em Brasília (Scream & Yell)

texto publicado no Scream & Yell

por Tiago Agostini

Nos anos 80 e 90, Brasília se acostumou a ser berço das maiores bandas de rock do Brasil. Primeiro foi a Turma da Colina, de onde, entre Capital Inicial e Plebe Rude, surgiu a indiscutível maior banda de todos os tempos: Legião Urbana. Já nos 90 a cidade teve bons momentos com o Natiruts e, vá lá, o Maskavo, mas quem deu as cartas mesmo foram os Raimundos, dando voz a toda malícia adolescente em forma de punk/hardcore do bom. Para comemorar os 50 anos da cidade, festejando e relembrando esta história, o festival Rolla Pedra, entre os dias 10 e 12 de dezembro, apresentou uma programação majoritariamente de bandas de Brasília, com 50 shows em três dias, de graça e na Esplanada dos Ministérios.

O primeiro dia ficou restrito ao metal e hardcore. Muito barulho, poucas ideias. O grande destaque foi o Galinha Preta, uma das bandas mais divertidas do País. Com um som rápido e urgente, letras simples e engraçadas e a performance genial do vocalista Frango, tivesse um pouco mais de ambição e a banda seria grande. Após o Galinha, a programação anunciava uma ópera metal. Logo, o show intimista do paulistano Thiago Pethit em um bar próximo parecia mais atraente.

Talvez tenham sido as seis horas de distorção e barulho anteriores, mas acompanhado apenas de teclado e um eventual acordeom, o som meio cabaré do paulistano soou bem, principalmente nas letras em português de versos curtos como “Não Se Vá” e “Fuga Nº1″. Pethit, no entanto, há de cuidar da produção de seus discos. Sentado sozinho ao piano, cantando uma versão de “Bad Romance”, de Lady Gaga, a comparação com a diva pop foi inevitável: os dois possuem boas canções que se perdem entre os efeitos de estúdio.

O segundo dia foi o mais esquizofrênico da programação. Bandas como Watson e Suíte Super Luxo mereciam mais sorte: fizeram bons shows para um público diminuto e disperso, que só foi se aglomerar em frente ao palco quando as guitarras distorcidas do Trampa e do Etno soaram. Não que as duas, com seu pastiche de Rage Against The Machine, merececem a ovação. Antes da atração principal, o Móveis Coloniais de Acaju, o Camarones Orquestra Guitarrística mostrou seu surf-rock competente e contagiante e a cantora local Ellen Oléria impressionou com uma potência e afinação difíceis de achar por aí.

E aí o Móveis entrou no palco para lançar seu primeiro DVD, gravado ao vivo no Auditório Ibirapuera. Se a Legião foi a cara da Brasília dos anos 80 e o Raimundos dos 90, o Móveis personificou a primeira década dos anos 2000 na cidade. Com seu show sempre enérgico e envolvente, a banda comandou uma plateia que não deixou o clima esfriar nenhum minuto. É difícil não esbarrar nos clichês para falar de um show do Móveis: o carisma e a entrega da banda no palco não tem pares no rock brasileiro, a constante movimentação dos músicos contagia, a participação do público em todo o show impressiona. Adjetivos como apoteótico não são deslocados ou superlativos. O Móveis tem o melhor show do Brasil, e isso não é novidade há anos.

Para encerrar o festival, a programação de domingo foi a mais equilibrada, reunindo bandas mais pop e revivendo heróis do rock local. Os destaques ficaram por conta de Pedrinho Grana e Os Trocados, com uma sonoridade que resvala no rock gaúcho, e Os Gramofocas, com um punk honesto. Pequenas decepções para o Sapatos Bicolores: eles até tem um bom show, mas a performance vocal do guitarrista André atrapalha; e com o Lucy And The Popsonics, que não consegue transpor para o palco seu rock eletrônico.

O relógio marcava quase 21h30 quando o Little Quail And The Mad Birds subiu ao palco escudado por umas 20 pessoas no coro de abertura com “1, 2, 3, 4″. Em pouco mais de uma hora, Gabriel Thomaz, Zé Ovo e Bacalhau relembraram os divertidos anos 90 e deixaram a dúvida de por que, mesmo com disco lançado pelo Banguela, a banda não vingou no cenário nacional. O público, extasiado com hits-punk-indies como “Família Que Briga Unida Permanece Unida”, “Aquela” e “Galera do Fundão”, não deu bola se aquilo era pura nostalgia e pediu um bis acalorado.

Teria sido melhor acabar o festival por ali. Como última apresentação, um desfigurado Plebe Rude fez um show modorrento e arrastado. Nem mesmo o bis, com “Até Quando Esperar”, elevou a qualidade da performance – embora o público não tenha arredado pé do local. O Rolla Pedra terminava com uma até bonita homenagem à história, mas o festival mostrou que Brasília não precisa reverenciar apenas os heróis do passado, já que a cena atual é prolífica.

Propondo-se a traçar um panorama do atual cenário de Brasília, com localização central e privilegiada, ao lado da rodoviária e do Teatro Nacional, em uma cidade onde um carro é quase item obrigatório de sobrevivência, o festival pecou principalmente pelo grande número de bandas. Tudo bem que cada uma das 50 bandas representava um ano da cidade, mas aguentar 18 shows em um só dia, como no sábado, é tarefa hercúlea. E perde-se o foco. Fato curioso: nos bastidores circulava a história de que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá chegaram a ser cogitados como atração de encerramento do festival. O Rolla Pedra teria ficado pequeno para tanto choro.

*******

– Tiago Agostini é jornalista e assina o blog A Balada do Louco. Fotos de Naiane Martins (flickr)

O Valor. Móveis Convida Rolla Pedra por Pedro Branco.

Agradecer significa aprender a dar o valor das coisas às coisas. Sem aprendizado, o agradecimento é apenas um verbete da língua portuguesa que utilizamos de maneira política para evitarmos atritos desnecessários em situações de conflito. Agradecer é dar o devido; é retornar à origem. Nada superior. O agradecimento é terreno, horizontal: descansa sem esforço nas palavras que dizemos olhando nos olhos, enquanto o sangue circula, cada um separado do outro, em pulsações que se alternam sob nossas mãos que se tocam por segundos, mãos que manusearam tantas outras coisas. Mãos que não se despedem quando se afastam.

Digo isso porque agradeço. Agradeço pessoas, não nomes, e, por isso, não acho que vale a pena listá-los aqui, porque, como nos créditos dos filmes, cada pessoa, cada participação, cada litro e meio de suor que alguém deu pra fazer aquilo acontecer, fica resumido em uma dúzia de caracteres que correm, rápidas, para o topo da tela, enquanto os espectadores vão deixando a sala, indiferentes; nós, que fizemos, em pé, atrás da tela, alvos de olhos que não nos conhecem e não nos vêem. Não quero sujeitar essas pessoas à indiferença, não quero resumi-las em alguns caracteres do insosso alfabeto latino. Elas podem não saber quem são, mas eu sei, me lembro de cada uma. E agradeço, porque aprendi, com cada uma, o seu pouquinho.

A todos que colocaram seu tijolinho para fazer o Rolla Pedra acontecer, parabéns. Vocês viram, vocês sabem. Não há nada mais que eu possa falar sem correr o risco de parecer supérfluo. Vocês viram, vocês sabem.

Agora é o futuro. Vida longa ao Rolla Pedra, esse palco onde colocamos em ação nossos sonhos: nossa música, nossa atitude, nossas esperanças de ver esta cidade e este país invadidos pelos próprios filhos deste solo. Podemos, sim, ser fãs dos nossos vizinhos. Não precisamos de ídolos inatingíveis, precisamos de pessoas como nós, que nos ofereçam aquilo que lhes cabe. Precisamos de menos pretensão. Queremos música, queremos viver a música. E enquanto alguns já estão correndo atrás, outros de nós só estão esperando um festival desses pra botar pra frente aquela banda que nunca saiu do papel. E se não der certo, tá tudo bem ainda.

Este é um sonho que eu vivo.

E para quem olha com descrença para esse sonho, olhe de novo. Está acontecendo, querendo vocês ou não, e em breve sairá do nosso controle. Mas, por ora, passou. Para todos que estavam lá fica aquela sensação (que eu imagino que deva se parecer com a de ser um super-herói) de ter participado de algo monumental, de ter salvo o dia. Talvez tenhamos feito história nos últimos três dias. Para mim, não importa mais do que ter simplesmente tido a oportunidade de dividir o meu tempo com pessoas tão fodas que estão sonhando juntas e fazendo acontecer.

A vocês,

muito obrigado.

por Pedro Branco

%d blogueiros gostam disto: